Gravadora: Odd Future Records
Data de Lançamento: 27 de maio de 2014
“Stackin’ Skins”, a faixa mais longa de No Peace, tem 3min40s e conta com participações de Wiki e King Krule. O vocalista Lee Spielman só solta a voz a partir de 2min50s, revelando a inevitável característica de urgência. Urgência bem cáustica.
Isso fica bem claro para o ouvinte. Afinal, ele terá passado por 15 faixas até “Stackin’”, que fecha o disco levando o hardcore a outras frestas.
É o fim de um ciclo admirável do Trash Talk em seu quarto álbum, após lançar um EP de pouco mais de 5min (Awake EP) e ajudar o grupo Odd Future (isso mesmo, aquele do Tyler, the Creator) a quebrar tudo em suas apresentações flamejantes (após assinar com a gravadora deles).
A proposta de No Peace é um tanto singular: mostrar que não é preciso fazer muito para trazer novas perspectivas ao hardcore. O ‘fazer muito’ aqui, claramente, se direciona à energia iminente da banda.
Todas as faixas são potencialmente notáveis, não importam se passam dos 2min ou se Spielman economiza ou não cordas vocais.
“The Hide” é daquelas que te pegam de primeira; duas ou três audições e você já se familiariza com o refrão.
“Cludkicker” é o chamado inescapável ao bate-cabeça. A voz rouca de Spielman nos rememora fantasiosamente aos primeiros discos do Soulfly, como se fossem revistos pelo Black Flag. “Locked in Skin” pode ser bem assimilada por quem já se deixou convencer pela pedrada Beneath the Remains (1988), do Sepultura.
“Body Stuffer” está ali entre Anthrax e Fucked Up, com as guitarras massivas de Garrett Stevenson alçadas para nos fazer balançar os cabelos (aos calvos, o corpo). “Still Waiting for the Sun” não é bem o tipo de música que você vai ouvir ao acordar, mas te dá um tranco para encarar a dureza da realidade: ‘Às vezes me pego encarando o sol’, diz Spielman com a agressividade reduzida – mas ainda assim… agressiva. ‘Como se talvez ele fosse queimar/Mas então eu começo a pensar/Ou começo a beber/E paira uma sombra de dúvida’.
Para o Trash Talk não existe linha divisória entre hardcore e metal. Fãs de Bad Brains e Slayer podem dar as mãos e pogar enlouquecidamente ao som de um grupo que não tá nem aí em transgredir a seriedade de cada um desses gêneros. Quem sabe haja um espaço aos (anarco) adeptos de Tyler the Creator ou Young Thug, hã? Chuck D não chiaria…
