
01 Apocalipsom A (O Fim no Palco do Começo) 02 Capitais e Tais 03 Tropicalea Jacta Est 04 O Motobói e Maria Clara 05 Marcha-Enredo da Creche Tropical 06 Amarração do Amor 07 Tropicália Lixo Lógico 08 Não Tenha Ódio no Verão 09 Jucaju 10 De-De-Dei Xá-Xá-Xá 11 A Terra, Meus Filhos 12 Debaixo da Marquise do Banco Central 13 Navegador de Canções 14 Aviso aos Passageiros 15 NYC Subway Poetry Department
16 Apocalipsom B (O Começo no Palco do Fim)
Gravadora: Independente
[rating:3]
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Tom Zé já explicou o significado de Tropicália Lixo Lógico:
“Na década de 1960, Caetano e Gil ouviram Beatles e Mutantes, leram Oswald e Agrippino, assistiram às peças de Zé Celso, conheceram as pirações de Oiticica e se incomodaram (…) Sentiram que um mar de inovações os convocava à luta e que a tal da MPB necessitava abraçar de vez a modernidade. Foi daí que o lixo lógico abandonou o hipotálamo deles e reinvadiu o córtex. Em outras palavras: os dois perceberam que tinham de resgatar o aprendizado do interior, a herança dos árabes, a tradição oral e uni-los à cultura pop do Ocidente, filha direta do pensamento aristotélico. Conseguiram, assim, engendrar um ser inteiramente original, a dona Tropicália”.
Entendeu?
Nem tente, senão você só vai sentir ainda mais confuso (“tô te explicando pra te confundir“, lembra da célebre frase, né?).
O novo disco deste inquieto baiano foge daquelas experimentações estéticas de álbuns anteriores como Jogos de Armar: Faça Você Mesmo (2000) ou o estranho Danç-Êh-Sá (2006), onde elementos da cultura popular eram catalisados em instrumentos inventados pelo próprio músico – tipo serreteria, buzinório, entre outras bugigangas.
Tropicália Lixo Lógico é um disco que mexe com teorias: ele veio para bagunçar a música brasileira, jogando versos de canções populares como “Domingo no Parque” e “Tropicália” (‘Domingo no parque sem documento/Com Juliana navegando contra o vento/Saímos da nossa idade média nacional/Diretamente para a era do pré-sal‘, como canta em “Tropicalea Jacta Est”) em meio a neologismos numa forma de composição que agrupa palavras tal qual Gilberto Gil ou Caetano Veloso já fizeram: ‘Coisa boa João Pessoa/as lagoas de Alagoas/ensina terê Terezina/se Recife se refere cidade saudade‘, da faixa “Capitais e Tais”.
Os rumos da poesia são meros detalhes no novo trabalho de Tom Zé. O álbum é um olhar sobre o que acontece no século XXI numa linha de raciocínio em que a sonoridade, a letra e a forma de cantar formam um ambiente como um todo para que o ouvinte divague e tenha diferentes impressões ao repetir a música.
Um bom exemplo disso está em “O Motobói e Maria Clara”: ela tem arranjos orquestrais à lá Rogério Duprat em mistura ao baião (onipresente na obra de Zé), e recria um estado contemplativo do motobói e sua ‘motoca’. Mallu Magalhães, que participa da faixa, deve ter ficado confusa ao receber a letra: ‘a motoca toca te toca/Por me tocar/Minha toca pra te retocar‘. Lembra uma Suzana Salles mais sutil nas doideiras vanguardistas do Isca de Polícia.
As participações de nomes da nova música, como Emicida (“Apocalipsom”), Rodrigo Amarante (“NYC Subway Poetry Department”), Pélico (“De-De-Dei Xá-Xá-Xá”) e a própria Mallu (que também canta em “Tropicalea Jacta Est”) fazem a diferença sim no trabalho, ainda que não haja muita interferência deles no processo de gravação. Isso mostra uma suposta abertura da música de Tom Zé, estendendo o convite para a nova geração – que vai gostar das guitarras de “Aviso aos Passageiros”; três audições seguidas e logo o neófito vai querer memorizar a composição.
Há muito o que dançar e se divertir – como em “Debaixo da Marquise do Banco Central” e “Amarração do Amor” -, apreciar as boas composições de “A Terra, Meus Filhos” e “Não Tenha Ódio no Verão” e, claro, muito o que estranhar em “Apocalipsom A (O Fim no Palco do Começo)” e “Jucaju”.
Ainda que não seja o melhor disco de Tom Zé, Tropicália Lixo Lógico é a melhor forma de se iniciar na arte doidivana deste irrequieto mestre.
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A seguir, ouça Tropicália Lixo Lógico, de Tom Zé, na íntegra. Para fazer o download do disco, visite o La Cumbuca.
Melhores Faixas: “Tropicalea Jacta Est”, “Não Tenha Ódio no Verão”, “A Terra, Meus Filhos”.
