01 This Guy’s In Love With You 02 Fragment Two 03 The Light In Your Name 04 V (Island Song) 05 Spiral 06 Organ Eternal 07 Nothing Else 08 Dream

09 Field of Reeds

Gravadora: Infectious

Um piano é valioso sob diversas medidas, mas pouco agradecemos suas contribuições quando batemos de pronto um disco como Secrets of Beehive (1987), quarto álbum solo de David Sylvian que tem nos arranjos do parceiro Ryuichi Sakamoto uma de suas forças propulsoras.

Com o terceiro disco da banda britânica These New Puritans, o magnetic resonator piano é a grande descoberta. Tanto, que influenciou toda a sonoridade do grupo, que decidiu abertamente seguir novos caminhos.

O que era pungência de baterias eletrificadas com pequenos tons orientais em Hidden (2010), em Field of Reeds dá espaço para ambientações preenchidas vagamente com notas tímidas que mais o aproximam da ambient music que do avant-garde.

Os efeitos do instrumento são vantajosos quando nos deparamos com a modular “Fragment Two” e principalmente na melancolia que gira em repetição em “Organ Eternal”, uma trilha de dias frios que aos poucos brinca com desacelerações rítmicas.

A produção de Graham Sutton, músico da banda Bark Psychosis, não dá um clima de post-rock ao disco (ainda bem!). Na verdade, se fosse para procurar possíveis gêneros a Field of Reeds, melhor seria ficar com o new romantic do Talk Talk, referência óbvia já entregue nas primeiras audições.

A voz de Jack Barnett está mais à procura do contemplativo: assim, a sinceridade torna-se mais perceptível nessa não-procura musical. (Quanto a isso ele deixa para os belos efeitos meio-gospel que entram numa “V (Island Record)” ou no minimalismo excêntrico de “This Guy’s In Love With You”.)

Também há auxílios vocais, que mostram o quanto essa escolha musical do TNP está passível a aberturas. Isso ocorre de uma maneira inusitada, mas espertamente fluida na faixa-título, onde os vocais de Shylo junto a cantos de passarinho contrapõem-se a um noisy cavernoso. As vozes ali poderiam sugerir medo diante do desconhecido, mas formam a estranha orientação encontrada pela banda para conduzir-nos. Não há pra onde ir. Apenas a doce e improvável caminhada a se desvanecer.

“Nothing Else” já é mais minimalista. Contando com a voz baixinha de Adrian Peacock (conhecido como The English Bass), a banda sugere um Verdi-pós-Stockhausen numa peça com todos os requintes de operística. Ainda assim, é a dinâmica do piano que dá a canção o andamento lúgubre, capaz de nos fazer ajoelhar com o melodrama na mesma medida que impressiona pela escolha nada óbvia de colocar vocais pop – no volume mínimo, claro.

Por ser fruto de uma descoberta musical do TNP, fica difícil associar este disco aos trabalhos anteriores. Os ventos musicais são mais densos e complexos, muito por conta dos estudos de Barnett.

Só o fato de não se repetir já faz de Field of Reeds um trabalho importantíssimo no currículo da banda. Acompanhar seus próximos passos será um exercício ainda mais instigante daqui pra frente.

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A seguir ouça Field of Reeds, do These New Puritans, na íntegra:

Melhores Faixas: “Fragment Two”, “V (Island Song)”, “Organ Eternal”.