Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, setembro 4, 2012 4 Comentários

01 Angels 02 Chained 03 Fiction 04 Try 05 Reunion 06 Sunset 07 Missing 08 Tides 09 Unfold 10 Swept Away
11 Our Song
Gravadora: Young Turks



Tenho a resposta do motivo do The xx despertar tanta euforia: adequação.
Não, eles não são oportunistas – as próprias faixas respondem por si. Não dá pra fazer um apontamento desses de uma banda que canta ‘o que quero está bem aqui’ (“Islands”, do debut xx). (Na verdade, o efeito foi bem contrário: artistas como Rihanna, Shakira e Drake é que andaram aproveitando de algumas camadas sonoras do grupo inglês.)
O The xx é reflexo do cansaço que a própria cultura pop gerou. Sei que muitos devem celebrar quando surgem novos trabalhos de Diplo e Skrillex mas, mesmo que não se perceba, os ouvidos pedem um conforto sonoro. Fones de ouvido são onipresentes em nosso cotidiano – principalmente no cotidiano de quem mora na metrópole, alvo maior da cultura de massa. É como se procurássemos um descanso, mas sem tirar o fone do ouvido. E aí entra o The xx.
Mas é bom fazer um lembrete aos fãs do trio: aqui não tem nada de novo; nunca teve. As camadas sonoras minimalistas já foram exploradas por grupos como Young Marble Giant e Everything But the Girl, de forma mais ousada e criativa.
Esse interesse por sonoridades distantes também é creditada à música eletrônica: Coexist soa como um Untrue (do Burial, um dos pioneiros do dubstep) em velocidade lenta.
As letras falam de amor num ambiente oco. Como se os integrantes Jamie xx, Romy Madley-Croft e Lisa Papineau vivessem em um mundo só deles.
As produções de Jamie podem levar o ouvinte a diversos confinamentos fechados: “Reunion” está num ambiente tão silencioso que é possível ouvir as pulsações de Romy e Lisa; as batidas industriais distantes de “Tides” supõem um congelamento de um flerte qualquer entre duas pessoas que trabalham juntas; e “Fiction” poderia muito bem ser a trilha solitária do menino-robô de A.I. – Inteligência Artificial, que quer aprender o que é amor.
Para um segundo disco, geralmente se espera um sentido de renovação – nem que seja mínimo. A climatização das letras estão um pouquinho mais densas, mas não foge nada do debut; os temas, por mais que estejam um tiquito maduros… combinam com momentos solitários de adolescentes a quarentões; até a capa: tem aquele X que parecia misterioso, mas que todo mundo não cansa de desvendar a cada madrugada desolada.
Mudar, para o The xx, não é necessário. O que importa para o trio é entrar na sua psique conturbada.
Tudo bem que você não precisa achar que o mundo é imperfeito para ser hipnotizado pela estética intimista do grupo. Mas também não é a imperfeição que vai te obrigar a entrar nessa onda.
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Para ouvir o disco Coexist, do The xx, na íntegra, clique aqui.
Melhores Faixas: “Try”, “Tides”.
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