01 The Rifle’s Spiral 02 Simple Song 03 It’s Only Life 04 Bait and Switch 05 September 06 No Way Down 07 Fall of ’82 08 For A Fool 09 40 Mark Strasse

10 Port of Morrow

Gravadora: Columbia
[rating:3]

James Mercer não é necessário aos nossos tempos. Com Port of Morrow, percebe-se que ele nem se preocupa com tamanha façanha. Ainda bem. Porque ele é um compositor habilidoso e um roqueiro com potencial para surpreender um Steve Albini sem muito esforço.

Confuso? O que faria um músico que conseguiu prestígio na cena indie há algum tempo atrás e decidiu dar uma pausa para aprender mais com outros projetos? Provavelmente traria novas experiências para explorar melhor aquilo que fez antes. Foi exatamente isso que Mercer concretizou no quarto disco do The Shins.

Já se vão cinco anos desde Wincing the Night Away, mas agora Mercer, o único membro original e a cabeça pensante do grupo, parece estar mais centralizado de suas ideias. De 2007 pra cá, ele conheceu Danger Mouse e, junto com uma banca boa, colaborou no álbum Dark Night of the Soul. A química com Mouse deu tão certo, que eles formaram o Broken Bells, colocando seus vocais em um passeio pelo mundo livre das experimentações eletrônicas.

E o que tudo isso agregou ao Shins? Poderia ter sido muito, mas os fãs (neófitos também, vá lá) agradecem por não ser tanto assim. Ouvir a balada “September” é uma experiência que poderia constar em trabalhos anteriores, mas aí vemos o contexto perfeito se encaixando quando ele diz ser ‘egoísta’. Mercer é o The Shins, e o resto é complemento.

Um rápido adendo: é a primeira vez que o Shins assina com uma gravadora gigante, a Columbia. Ok, mas o alarme termina aí. Não é isso que justifica uma proximidade maior com o pop e canções fáceis; se Mercer quer que suas letras cravem na cabeça dos ouvintes, o faz com toques admiráveis. Do clichê sem-vergonha de “For a Fool” (com direito a produções esvoaçantes), ele compensa com “Fall of ’82”, que não complexifica nada, mas pelo menos traz melodias mais criativas ao juntar folk com uma produção que se encaixaria em um ska.

“40 Mark Strasse” seria um daqueles sonhos inatingíveis de um Keane; chega a causar vergonha alheia em uma primeira audição, mas aí você percebe como o fascínio de um ouvinte por Mercer floresce. É a sua forma de trabalhar as palavras, e não os sentidos de suas composições, que faz com que garotas de 20 anos que escutam The Shins autodenominem alternativas.

Em um disco de poucas surpresas estéticas vale ressaltar a importância de transformar “The Simple Song” como single. Realmente, é o melhor que você vai encontrar em Port of Morrow. As guitarras em ondulações aquáticas, os backing vocals góticos e a bateria strokiana dão um vigor raro à música de Mercer.

No entanto, não pense em “The Simple Song” como um resumo do disco, ou você vai se decepcionar. Todavia, Mercer surpreende. Nem tanto assim, mas o suficiente para que a autoafirmação indie não caia em defasagem.

Melhores Faixas: “Simple Song”, “September”, “Fall of ’82”.