
01 Lunacy (ft. Alan Sparhawk & Mimi Parker) 02 Mother of the World 03 The Wolf 04 The Seer 05 The Seer Returns (ft. Jarboe) 06 93 Ave. B Blues 07 The Daughter Brings The Water 08 Song For A Warrior (ft. Karen O) 09 Avatar 10 A Piece of the Sky (ft. Jarboe & Akron/Family)
11 The Apostate
Gravadora: Young God





De acordo com o líder Michael Gira, foram 30 anos para o Swans criar este disco. Eu demorei pouco mais de dois meses para ouvi-lo e escrever esta crítica.
Tem um bom motivo: geralmente quando escrevo sobre algum novo disco, em algum momento ele escapa de meus ouvidos por conta da grande demanda de novos trabalhos.
Não escrever sobre The Seer durante todo esse tempo foi a justificativa perfeita para continuar ouvindo esta que é uma das maiores beldades de todos esses 12 anos do novo milênio.
Uns classificam The Seer como psicodelia ‘que rejeita os rótulos psicodélicos dos anos 60’, outros como ‘blues apocalíptico’ e tem até quem o defina como ‘um exercício de coragem e persistência’, já que é preciso quase duas horas para apreciá-lo.
Prefiro dizer que é uma experiência um tanto misteriosa. Sim, o disco é tão sombrio quanto a capa – uma aventura que pode te dar choques com as baterias pungentes de Thor Harris e Phil Puleo na espetacular “Mother of the World” ou na agressiva “The Apostate” e, depois de muito te chicotear, também te deixar num estado de conforto com a pequena ajuda de Karen O (Yeah Yeah Yeahs) na linda “Song For a Warrior”.
A voz de Gira funciona como a de um senhor das trevas que tem o prazer de lhe mostrar e lhe conduzir a um universo sinistro até então nunca imaginado pelo ouvinte.
Na já citada “Mother of the World”, a partir dos 6 minutos os loopings de guitarra e efeitos dos teclados nos transportam para uma espiral sem fim ao lado de dragões, répteis, elfos, duendes horríveis, mascarados brutamontes – imagens mais ou menos assim. E que início perturbador é aquele! – graças à bateria firme e recalcitrante.
Apesar de seus 6 minutos de duração, “Lunacy”, que abre o disco, é a trilha do caminho para essa viagem alucinante. Mais ou menos o que Neil Armstrong ouviria na Apollo 11 a caminho da lua.
Uma vez em seu destino, a experiência é pura entropia – que ultrapassa os limites na imensa faixa-título, de mais de 30 minutos de duração. Começa com synths etéreos, até que as baterias (digo mais uma vez: esplêndidas) esboçam uma sonoridade tribal de deixar o Animal Collective no chinelo. As notas monossilábicas de guitarra atiçam o ouvinte para uma pancada que você sabe que vai vir, mas não sabe como – por isso, fica apreensivo, estático, roendo pra dizer ‘baralho, o que vai sair daí?!?’.
É uma estética que vai do post-rock ao free-jazz se fosse feita por outra banda. Mas, como estamos falando de Swans, somos obrigados a decretar: esse som é… Swans!
Por mais que você não tenha muita familiaridade com a banda, em algum momento de “The Seer” (faixa e disco) você vai dizer isso. Seja durante as fritadas de guitarra, dos bumbos que soam como pêndulos, das experimentações de um instrumento que lembra gaita de fole, da voz de lobo de Gira que conduz a canção com barulhos indescritíveis a partir dos 28 minutos… Tudo isso se liga de forma sobrenatural – não tem colagens, tampouco a sonoridade é fruto de uma jam improvisada. É estruturado pra te definhar, surpreender, te chacoalhar, te esmurrar.
“The Apostate” já é uma viagem mais insular. Até os 7 minutos, simboliza aquele momento de procura por algo que não se sabe o que é. Do nada, ela se transforma numa trilha poderosa e exasperadora, consequência natural de uma longa procura.
Isso se intensifica a ponto de acelerar os batimentos cardíacos com a surpreendente velocidade de riffs e baterias, até que toda energia é liberada como fogos de artifício. É uma celebração, prova maior de que o medo precisa ser vencido – tanto os medos patológicos que se formam com o passar dos anos, como o medo que muitos podem ter de encarar The Seer.
No entanto, celebração maior é vibrar e se contorcer com uma obra-prima sem tamanhos da música atual.
A crítica está aqui e, ao contrário do que usualmente faço, não devo e nem quero deixar de ouvir este disco tão cedo.
Melhores Faixas: errrr… todas, É LÓGICO!
