
01 Mumbai 02 Orquestra De Mil Martelos 03 O Céu Sobre As Cabeças 04 Um Grande Trem Positivista 05 Belo Horizonte 06 Mágica 07 Declínio E Queda Do Império Magnético 08 À Minha Estrela Bailarina 09 Índico De Estrelas 10 Ascensão E Glória Do Império Cibernético 11 Asclépius
12 Ninguem Conquista A Noiva Dançando
Gravadora: Midsummer Madness
[rating:3.5]
Nem era preciso fechar os olhos. A iluminação escura do teatro do Sesc Belenzinho ofuscava o dono daqueles riffs psicodélicos de guitarra durante a execução de “Orquestra de Mil Martelos”. Era possível ver uma sombra fazendo movimentos bruscos com o instrumento, graças à projeção no fundo de uma tela que transmitia imagens lisérgicas. Uma experiência próxima de uma viagem capsular aos anos 60.
Essa atmosfera densa do show de lançamento de A Mágica Deriva dos Elefantes reflete bem o hibridismo do disco.
Seis anos após Seres Verdes ao Redor, calcado numa climatização orgânica que serviria como trilha sonora numa floresta imaginária, o Supercordas foi moldando e acrescentando mais camadas sonoras nas faixas ao longo de mais de dois anos de gravações.
Vemos sintetizadores e theremin em “O Céu Sobre as Cabeças”, um saxofone em meio a violas em “Declínio e Queda do Império Magnético”, scratches, pianos e pod eletrônico em “Mágica”. E por aí vai.
A grande mágica do disco é pegar o ouvinte de surpresa com efeitos nada previsíveis. Claro que muitos ficarão surpresos com os efeitos quase dionisíacos nos aparatos de Filipe Giraknob na abertura de “Belo Horizonte”, onde o compositor Pedro Bonifrate surge com um vocal do além para tirar o peso de nossos cotidianos: ‘Não sê tão sensato e terrível/Nesse teu mundo invisível/Mas crê no azul de um belo horizonte a Vera Cruz‘.
Em contrapartida, há alguns excessos de cansar o ouvinte – coisa que acontece em “À Minha Estrela Bailarina”, faixa etérea que nos faz pensar o quão chato poderia ser aqueles momentos em que cantores hippies dos anos 60 judiavam dos ouvintes em eventos à lá Woodstock.
Os grandes hits podem ser creditados a “Índico de Estrelas”, com arranjos orquestrais em sincronia com os belos solos nas guitarras de Bonifrate e Kauê Ravaneda; e “O Céu Sobre as Cabeças”, uma mensagem de diferentes contornos aos jovens que não estão nem aí pro planeta: ‘Mentalize um grande muro/Se esconda atrás e tanto faz/Mas não se esqueça de afagar a terra‘.
Quando o Supercordas segue por vias acústicas, percebemos melhor a força das letras de Bonifrate: em um clima country-folk, “Um Grande Trem Positivista” fala sobre como as individualidades de cada ser tornam o ambiente uma loucura. ‘Você não vai parar/Se à frente houver alguém/Nem um monumento dadaísta‘.
Com tanto hibridismo, é capaz de alguns ouvintes passarem batido das boas composições existentes em A Mágica Deriva dos Elefantes (como “Mumbai”, “Asclépius”). As letras são tão ou ainda mais viajantes que os arranjos que, de tão densos, supõem uma obsessividade extrema.
Por conta do longo processo para concluir A Mágica Deriva dos Elefantes, os músicos mexeram demais nas faixas, quando a eficácia poderia residir justamente na simplicidade.
Ainda assim, por mais estranho que pareça, é um disco que cresce a cada audição.
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A seguir, ouça o disco A Mágica Deriva dos Elefantes, do Supercordas, na íntegra:
Melhores Faixas: “O Céu Sobre as Cabeças”, “O Grande Trem Positivista”, “Belo Horizonte”, “Índico de Estrelas”.
