
Sufjan Stevens – The Age of Adz




Antes de conceber sua mais recente obra, Sufjan Stevens havia prometido lançar um álbum para cada um dos 50 estados norte-americanos, como forma de unir as especificidades de cada movimento e dar uma roupagem moderna com arranjos inovadores e composições que, após passarem a fase da esquisitice, soam louváveis. Foi nesse ritmo que o produtor lançou em 2005 o álbum Illinoise, considerado um dos melhores trabalhos musicais da década passada.
Só que agora Sufjan resolveu mudar. Apostou mais no seu lado produtor e plastificou sonoridades que vão de orquesras eruditas aos barulhos mais inusitados. The Age Of Adz marca a transição do músico para uma busca mais sincrética às suas composições. “I Walked”, por exemplo, traz corais de ópera como soundtrack de um trip-hop calmo, que entra em síncope com a voz soturna de Sufjan.
Se antes o músico sentia-se inseguro de interferir nos barulhos inovadores que buscava, essa preocupação agora se apresenta como uma nova possibilidade. O álbum abre com o piano e os vocais sintetizados de “Futile Devices” e encerra com uma experimentação de mais de 25 minutos da faixa “Impossible Soul”, que trafega pelo britpop, baterias pulsantes do jazz e até mesmo um pouco de R&B.
Sufjan Stevens: “I Walked”
O single “Too Much” é uma incursão ao experimentalismo denso, como se tivesse representando a rapidez e a fugacidade dos tempos modernos passeando pelos sons de grupos como Passion Pit e Animal Collective. Mesmo misturando, diversificando e condensando esse montão de ritmos, o som de Sufjan é estilizado como psych-folk, algo que tenta dar um sentido às esquisitices exploradas de forma quase tão-lírica quanto o ritmo popularizado por Bob Dylan. O novo trabalho, inclusive, reflete isso: o produtor pegou emprestado o nome do álbum The Age of Odds, do cantor de folk Royal Robertson.
Em The Age of Adz, a ênfase não é mais a união perfeita entre voz, instrumentos e sintetizadores, como o produtor mostrou nos álbuns anteriores. Sufjan está mais eletrônico do que nunca, e isso só agrega para a sua obra musical como um todo.
“I Want To Be Well” busca diversos sentidos emocionais impulsionados pela bateria compassada e flautas orquestrais, enquanto ao longo da canção os sintetizadores exploram sons improváveis. Sufjan não casa ritmo e melodia, e é isso que torna a canção tão legal. Na faixa-título, impera o pós-punk industrial com referências cinematográficas, enquanto “Vesuvius” é quase uma balada estilizada com sonoridades de videogame.
The Age of Adz só prova que, não importa quais sejam os caminhos trilhados por Sufjan Stevens. De alguma maneira, ele consegue refletir os tempos modernos por meio da música.
Sufjan Stevens: “I Want To Be Well”
Sufjan Stevens: “Vesuvius”
Sufjan Stevens: “Age Of Adz”
