01 See You Don t Bump His Head 02 Corps De Blah 03 Phrasing 04 SDSS1416+13B (Zercon, A Flagpole Sitter) 05 Epizootics! 06 Dimple 07 Tar 08 Pilgrim

09 The Day The Conducator Died

Gravadora: 4AD

Avant-garde é um muro que poucos tentam pular, e Scott Walker só faz dificultar tal obstáculo.

Não é certo dizer que seu barítono serve como porta-voz do gênero, porque nem o avant-garde é unívoco o suficiente para descrever sua sonoridade. Some às palavras-chave obscuridade, estranheza, idiossincrasia, improbabilidade, abstração, humor intraduzível… O resto do trabalho fica por conta do ouvinte.

Bish Bosch é o último disco de uma trilogia iniciada em Tilt (1995) e intensificada em caminhos misteriosos com The Drift (2006). Se a distância de ídolo pop iniciada com os Walker Brothers nos anos 1960 havia extremado com o trabalho anterior, com Bish Bosch é que essa experiência vai mais a fundo (se bem que os detratores dessa faceta pop de Scott já devem ter perdido as esperanças há um bom tempo).

Quando as imagens justapostas em movimentos taquicardíacos revelaram ser a natureza do clipe de “Epizootics!” (veja no final do post), o aviso já estava dado: Scott Walker não iria beber na fonte do minimalismo, mas, sim, enveredar rumos estéticos improváveis – que vão de barulhos de cães e abelhas com batidas monocromáticas em “Corps De Blah” ao samba agitado que entra como colagem no post-rock de “Phrasing”.

O vocal de Scott foi bem mais explorado. Na própria “Corps De Blah”, talvez a canção que melhor exibe a versatilidade do compositor, ele canta como Pavarotti e se exaspera sem medo de desafinar na longa jam épica de “SDSS14+13B (Zercon, A Flagpole Sitter)” que, uma vez superado o fardo de enfrentar 20 minutos de pura experimentação, logo se esparrama aos elogios de ouvintes que encaram a música como desafio.

Mesmo não sendo basicamente um disco de rock, Bish Bosch seria mais ou menos o desenho perfeito do que Andy Warhol gostaria de trazer para o gênero.

Para 2012 é um disco mais que perfeito: tem composições apocalípticas e improváveis – até uma certa dose de humor negro, forma que muitos recorrem quando se fala sobre o tal 12 de dezembro e o calendário maia.

Não é um disco acessível. Está mais para uma experiência aterradora, pronta para espicaçar convicções e expandir as referências musicais e existenciais de nossas cacholas, que Scott Walker bagunça com prazer e rara propriedade.

Melhores Faixas: “See You Don’t Bump His Head”, “Corps De Blah”, “Phrasing”, “Epizootics!”.