
01 Keep Your Eyes Peeled 02 I Sat By The Ocean 03 The Vampyre of Time and Memory 04 If I Had A Tail 05 My God Is The Sun 06 Kalopsia 07 Fairweather Friends 08 Smooth Sailing 09 I Appear Missing
10 …Like Clockwork
Gravadora: Matador




Finalmente o Queens of the Stone Age pode aderir algumas canções novas ao petardo de clássicos que formam o tracklist óbvio – porém insuperável – das melhores apresentações do grupo.
Pairava uma carência de força pop na banda de Josh Homme desde a última aparição de Dave Grohl nas baquetas – no caso, Songs For the Deaf (2002).
Canções como “Little Sister” (de Lullabies To Paralyze, de 2005) e “3’s & 7’s” (Era Vulgaris, 2007) eram rápidas e se encaixavam bem com o rock calcado em guitarras que sempre foi a tônica do QOTSA, mas faltava um appeal, quem sabe um mel nas cordas.
Isso já é bem resolvido logo na faixa de abertura de …Like Clockwork, “Keep Your Eyes Peeled”. Tão bom quanto uma trepada de reencontro, a canção se despe aos poucos: a guitarra ameaça partir para uma explosão, mas se segura para criar um bom pano de fundo para as ideias de Homme atraírem o ouvinte aos poucos.
Já que partimos para o lado sexual da coisa, “I Sat By The Ocean” é como uma consequência da transa anterior. “Imagine que eu seja o seu primeiro e único”, ilude-se Homme. “Você, eu e uma mentira”.
Após a segunda canção, o QOTSA vai à procura de um momento reflexivo em “The Vampyre of Time and Memory” e se reconstrói aos poucos com “If I Had a Tail”, com pequenas ajudas vocais de Mark Lanegan e Nick Olivieri.
A grande dinamite vem com o hit mais potencial do disco: “My God is The Sun”. A fórmula é bem conhecida e nada enjoativa: Grohl vem com as baquetas pesadas, Homme fornece o vocal límpido e um refrão pegajoso que nos faz acreditar novamente no rock’n roll.
Apesar do líder do Foo Fighters ser dono da participação mais constante no disco (ele toca bateria em seis canções), …Like Clockwork também tem o dedo colaborativo de outras figurinhas conhecidas. Trent Reznor, Alex Turner e Elton John estão lá, mas o ouvinte nem percebe direito.
Há o piano de Elton em “Fairweather Friends”, mas ele é eclipsado por um belo solo distorcido de guitarra que transfigura uma admirável composição em barulho.
O vocalista do Arctic Monkeys colaborou com a letra de “Kalopsia”, que conta com alguns toques de programação de Reznor. A canção fala de belezas e despedidas, fechando com a já conhecida característica QOTSA ao empunhar guitarras para uma conclusão intrigante: ‘Favorecem os que se ajudam/O resto sente a picada das palavras/Como se corressem/Para o inferno’.
O rock vigoroso pode ser a força propulsora da banda, mas a aproximação dos 40 de Homme (ele ainda tinha 39 quando concebeu o disco) levou a banda a explorar faixas mais amenas dentro da possibilidade do QOTSA. Aí, faz todo o sentido canções como “I Appear Missing” e a faixa-título (esta sim, deveria ter o piano de Elton John).
O momento de transição artística é sempre inevitável, e a banda soube assimilar esse detalhe da melhor forma possível: sem fugir de seus preceitos estéticos e sem aquele papo de ‘estamos mais maduros’.
Melhores Faixas: “Keep Your Eyes Peeled”, “I Sat By The Ocean”, “My God is the Sun”, “I Appear Missing”.
***
ERRATA
• A tradução correta para a faixa “I Sat By The Ocean” é “Imagine que eu seja o seu primeiro e único”, e não ‘Imaginei que eu fosse…‘, como estava anteriormente. A correção foi da leitora Rosana Azevedo.
