
Prince – 20Ten



O tempo parece não ter passado para Prince. Por isso, ouvir hoje 20Ten, seu mais novo trabalho, pode dividir opiniões aos extremos: é um verdadeiro ‘ame-o ou odeie-o’.
Após afirmar que a internet não influencia no seu trabalho e comprar uma treta das grandes com YouTube e outros portais de streaming – chegando até a retirar seu website do ar -, Prince parece reviver os áureos anos 80, quando revolucionou a música com singles de peso como “1999”, “When Doves Cry” e “Purple Rain”.
Escutar o característico rock mesclado ao R&B como se estivesse em uma máquina do tempo é um exercício interessante nos dias de hoje. Principalmente somado a um discurso que pode soar arcaico: afinal, para Prince faz sentido ignorar o mundo compartilhado – ele fez sucesso em um universo comercial onde as grandes gravadoras ainda mandavam na indústria musical.
Apesar das críticas exageradas de publicações internacionais, como a da NME, 20Ten é musicalmente muito bom. Não é cópia da cópia. É a renovação de um estilo já consolidado por Prince, considerado um dos músicos mais influentes do século passado.
O álbum foi lançado no dia 10 de julho e veio junto com os jornais tabloides “Daily Mirror” e “Daily Record”, na Inglaterra.
Os 52 anos do cantor, compositor e multiinstrumentista parecem não fazer diferença no poder de sensualidade de sua voz, como é fácil perceber em “Future Soul Song”. O mestre das baladas retorna com potência sua habilidade em derreter ouvidos com sua sonoridade soul única e absolutamente voluptuosa.
“Compassion”, faixa que abre o álbum, relembra o aspecto retrô-futurista que deu prestígio à 1999, lançado há quase 30 anos atrás. O slide guitar come solto junto às batidas de salão, deixando a canção com a cara das pistas. “Sticky Like Glue” é puro funky-balada, que pode inspirar os passos mais esquisistos do mundo com o baixo em síncope. O ritmo de James Brown também corre nas veias na canção “Lavaux” e fica como referência na maioria das músicas de 20Ten.
O retorno à origem, na cara deslavada, é o grande impacto do álbum. As oscilações da crítica especializada residem neste fator: afinal, é melhor inovar ou resgatar aquilo que já se fez de bom? Segundo o jornalista Jason Draper, que escreveu a crítica no NME, Prince tenta voltar ao passado, mas não é nem mais sombra do revolucionário que foi há 25 anos atrás. Tony Parsons, crítico do Daily Mirror, acredita que a inovação do músico é contínua e que o álbum é o melhor trabalho do compositor em duas décadas.
Opiniões à parte, Prince nada em correnteza contrária para provar que o poder de sua música é eterno. Em uma modernidade onde a inovação alcança os extremos e atinge distorções inaudíveis e, por vezes, muito incômodas, ouvir 20Ten é reconfortante e nos faz lembrar como baladas bem trabalhadas – munidas a ritmos autênticos como funk, soul, R&B e até mesmo rock – são uma raridade em dias atuais.
Sem inovar, Prince renova essa reticência musical e injeta som antigo com classe e qualidade em uma contemporaneidade marcada por sonoridades repletas de dissabor.
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Quem quiser escutar 20Ten na íntegra na internet (quem disse que ela não seria capaz?), não deixe de visitar o Blog do Maia.
Curta abaixo a faixa “Compassion” enquanto ainda está hospedada no YouTube. Enjoy!!!
