Gravadora: What’s Your Rupture? / Mom & Pop
Data de Lançamento: 3 de junho de 2014
Aos afeiçoados a The Fall, Butthole Surfers, Pavement e Wire, o terceiro disco do Parquet Courts não deixa de ser uma boa notícia.
Sunbathing Animal é pura virada de anos 1980 para 1990, o que não quer dizer muita coisa. Também, pouco importa.
Mais uma das boas bandas a brotar no Brooklyn (EUA), o quarteto liderado por Andrew Savage delineia seus riffs com sagaz libertinagem, usando muito bem os artifícios de munir sujeira punk em cada fragmento musical que explora.
Se nesses mais de 35 anos de punk rock alguma fórmula foi estabelecida, o Parquet Courts rompeu com todas elas.
Na verdade, nem dá pra chamar Sunbathing Animal de um disco essencialmente punk porque a agilidade nos acordes de guitarra, apesar de uma constante, é válvula para a banda nos mostrar que consegue soar interessante, vigorosa e doidivanas em variados tempos.
O disco começa espertamente lento em “Bodies”, como uma boa banda grunge faria. “Black and White”, o single, é aquela canção que você deve mostrar ao amigo quando quiser convencê-lo da assertividade do Parquet Courts. Ganhou uma versão diferente para o 7”, com riffs mais consistentes de Austin Brown.
“Dear Ramona” poderia ter sido tema de Scott Pillgrim: agradaria os personagens adolescentes e o público com mínimo de veia roqueira. É lentinha, balada, um tanto boba e piegas, mas, como estamos falando em Parquet Courts, o piegas adquire um significado mais complexo do que se imagina.
Para tanto, vide “Vienna II”, inspirada nos takes mais absurdos do Devo, ou a declaração aparentemente tosca de “Instant Disassembly”, de versos singelos entregues à mãe que não escondem o trejeito amalucado que a banda assume: ‘Mamacita, eu preparei minha defesa/Falho como sempre na tensão da bebedeira’.
“She’s Rolling” é o típico blues que se faz no século XXI. É denso e etílico em sua composição. Termina como um Howlin’ Wolf capotado de bêbado em seu solo na harmônica.
“Raw Milk” já é a banda catapultando o indie com vocais desleixados, riffs preguiçosos e melodia clichê. O melhor é que esses adjetivos não a tornam uma faixa ruim. Deve ser algum fator misterioso da banda, que será melhor processado daqui a uns dois ou três discos.
Tá bom, e o rock’n roll, tem? Ora bolas, lógico! Pra se esbaldar, com “Always Back in Town” e “Ducking & Dodging”, onde a aceleração do baixo de Sean Yeaton mantém pegada firme. “What Color is Blood” não é pra ouvir baixo. E a faixa-título é o momento mais incendiário, pra dar umas porradas mesmo e quebrar tudo à volta.
Em tempos em que cria-se mimimi atrás de mimimi pra justificar bandecas ruins e sem graça, o Parquet Courts atropela fazendo um rock instigante, nada sério e insípido como deve ser.
Se Light Up Gold (2012) deu uma ótima pista do que a banda desenvolveria ao longo dos anos, Sunbathing Animal manda um foda-se generalizado às sofisticações e, sem reduzir-se ao básico, mostra que, no rock, energia e testosterona é mais importante que teoria e bundamolice.
