
01 No Ar 02 De Leve 03 Falar pra Ficar 04 Mar Azul 05 Além Mar 06 Suor da Cidade 07 Viver o que Falta Viver 08 Do Bem 09 Boneco Gigante 10 Voz de Dentro 11 Toda Massa
12 Janela
Gravadora: Independente




Download gratuito pelo site oficial
Tirando os malefícios de ser banalizada pela comunicação de massa e, por vezes, se sustentar em vícios estéticos, até que não é tão ruim ser pop.
Mas podemos dizer que um coletivo como a Orquestra Contemporânea de Olinda tem algum denominador comum que se aproxime a esse termo tão odioso no campo musical?
Bom… Dá pra dizer que sim, se levarmos em consideração de que o pop é uma ponte de fácil acessibilidade para atrair novos ouvintes e encantar ainda mais os velhos de casa.
Sendo assim, Pra Ficar pode, sim, ser entendido como pop. Produzido por Arto Lindsay (Marisa Monte, Tom Zé, Caetano Veloso), o álbum tem letras divertidas e fáceis de cantar, possuem ritmo contagiante e – o melhor – há qualidade de sobra! Afinal, estamos falando de um coletivo de músicos que já estão envolvidos na cena pernambucana há um bom tempo (o líder do coletivo e percussionista Gilú Amaral já tocou com Naná Vasconcelos, Otto, Mundo Livre S/A; Maciel Salú, voz e rabeca, é filho de ninguém menos que Mestre Salustiano).
Se você já andou na histórica cidade de Olinda, com seus paralelepípedos, ladeiras, igrejas e bonecos gigantes, vai associar na hora o disco ao lugar que ainda hoje serve de influência para o coletivo. E vai se sentir em torno de um dos Carnavais mais prestigiados de nosso Brasil.
O frevo “No Ar” te pega na hora: ‘Prazer, sou mais um filho/Nova fonte de prazer/De cara aberta pra apanhar e pra bater’. Entram os metais e, antes que Salú entoe o refrão, você já se pega dançando.
Na dobradinha “Falar Pra Ficar” e “Mar Azul”, vemos como os metais fortificam a sonoridade da big band, que não faz questão alguma de te deixar moscando com a guitarra acelerada de Juliano Holanda. Essa inserção meio Bronx dá um caldo mais híbrido ao som da Orquestra – coisa de Ivan do Espírito Santo, que toca sax e flauta e assina os arranjos dos metais.
É bom dizer que Pra Ficar não é um álbum erigido somente em tradições. Afinal, são 10 músicos – e todos ajudam a compor, jogar um efeito aqui e ali (tipo microkorgs em “Suor da Cidade”, uma guitarra meio praieira em “Boneco Gigante”) e influenciar no resultado final. Como bem disseram em entrevista à revista O Grito!, “é a afinidade de um grupo de músicos que entende Pernambuco como um dos celeiros musicais e criativos mais expressivos do mundo”.
E é para o mundo mesmo que sai aquela “Voz de Dentro”, uma linguagem musical que tem o poder de ecoar em todos: ‘Traz um verso novo/Cheio de energia/Junto à melodia/Que ainda falta pôr’.
Ouvidos prestigiados certamente vão querer repetir a dose. Mas, faremos o seguinte: direcionemos nossas críticas àqueles que preferem ignorá-la para acompanhar a ‘programação do ar’. Isso, ‘a onda leva’ (não vá nessa, não…).
Já o som da Orquestra Contemporânea de Olinda… veio pra ficar!
***
A seguir, ouça Pra Ficar, da Orquestra Contemporânea de Olinda, na íntegra. Para fazer o download, visite o site oficial.
Melhores Faixas: “De Leve”, “Além Mar”, “Viver o Que Falta Viver”, “Toda Massa”.
