01 The Eater of Dreams 02 Copy of A 03 Came Back Haunted 04 Find My Way 05 All Time Low 06 Disappointed 07 Everything 08 Satellite 09 Various Methods of Escape 10 Running 11 I Would for You 12 In Two 13 While I’m Still Here

14 Black Noise

Gravadora: Columbia

Em quatro anos as coisas mudaram para Trent Reznor numa curvatura dissociada dos tortuosos caminhos trilhados pelo Nine Inch Nails.

Houve a aclamação de pop stars como David Bowie e Axl Rose, mas quem diria que o cara que compôs faixas massivas como “Head Like a Hole” e “March of the Pigs” iria constituir família, fazer carreira como compositor de trilhas de cinema, dar andamento a projetos paralelos e até mesmo ganhar um Oscar?

Tais conquistas deixaram Reznor mais acurado. A ponto de estudar o que as pessoas gostam de ouvir e separar seu disco de retorno com o NIN, Hesitation Marks, em um disco para audiófilos e outro numa qualidade que se encaixa melhor nos padrões mp3.

O grande ponto é que Hesitation Marks é um álbum careta. O álbum em que Reznor tomou para si a responsabilidade de dialogar com um público mais amplo.

Se por um lado o disco ganha em camadas, perde em agressividade. E isso, infelizmente, não torna a obra mais interessante.

“Came Back Haunted” é o achado bem-sucedido para uma banda que carece de hits associáveis ao seu trabalho (tipo “Closer”). A faixa relata o encontro de um cético com o diabo e vem carregada de synths que sugerem mistério ou uma viagem sem volta a um mundo perdido. É poderosa, mas se revela enfadonha ao inserir trejeitos pop, principalmente no final da faixa, que parecem estar presentes para puxar para si fãs de, vai lá, One Direction. Que encerramento safado de uma faixa que poderia ser uma das melhores da carreira do grupo (vide o minuto final da música).

Mais pop no conceito é “Everything”, onde o NIN procura um abrigo entre o que faz TV On the Radio e Foo Fighters. Tal direcionamento só declina a qualidade do disco – prova cabal é “Satellite”, que não se salva ao seguir os caminhos trilhados pelo anterior The Slip (2009).

A partir daí, o disco parte para uma guinada em que os efeitos não evitam a superexposição da chatice. “Various Methods of Escape” e “I Would For You” suscitam ânsias por explosão, mas decepcionam por não abandonar a esfera, hum… tediosa (tendo isso em mente, passe longe de “While I’m Still Here”).

Todavia, não pode-se deixar de registrar grandes acertos de Hesitation Marks. Nesse quesito, são as duas canções que valem o disco: “Copy Of A”, em que Reznor mimetiza a si próprio para ser aquele que as pessoas querem ser; e “Running”, onde batidas techno e percussões remetem a um cenário impetuoso, como ponto de fuga do caos.

As muitas experiências com o som e a forma que ele se adequa a determinadas passagens são os fatores-chave de influência em Hesitation Marks. É um disco meticuloso e, sim, o disco em que Reznor pode sustentar os argumentos de que o NIN não está preso ao gênero industrial.

Mas, sejamos francos: se o disco é retrato de um artista mais experiente e, por conseguinte, diferente, melhor seria deixar o Nine Inch Nails como um passado virulento (e glorioso) e evitar ir de encontro a um presente/futuro maçante e sem graça.

Melhores Faixas: “Copy Of A”, “Running”.