01 No Introduction 02 Loco-Motive 03 A Queens Story 04 Accident Murderers 05 Daughters 06 Reach Out 07 World’s an Addiction 08 Summer on Smash 09 You Wouldn’t Understand 10 Back When 11 The Don 12 Stay 13 Cherry Wine 14 Bye Baby 15 Nasty 16 The Black Bond 17 Roses

18 Where’s the Love

Gravadora: Def Jam

Lembro muito bem de quando Nas não costumava venerar tanto assim a vida.

Só pelo nome, Life is Good prova que o rapper não vive mais os tempos de Illmatic (“Mantenha-se estático como uma fábrica de lã/Carrego uma automática que racha teu repolho inteiro”, conclui Nas na clássica “Life’s a Bitch”, de 1994).

Dos vinte anos pra cá, Nas gravou diversos discos, casou, teve filha e se separou – tanto que o vestido que ele segura na capa de Life is Good era do casamento que teve com sua ex-esposa Kelis.

O rapper poderia estar em frangalhos e entregar um disco furioso, mas ele prova como fazer rap aos 40 anos requer mais cuidado – e vem com muito mais maturidade – do que fazer com 21. “Não me aplauda/Estou cansado”, diz em “No Introduction”.

No entanto, o cansaço tem uma conotação um tanto quanto positiva no décimo disco de Nas. Aqui, ele se aproxima de seu tempo de Queensbridge (Nova York), quando rimava de forma explosiva sobre o caos da cidade, mas controlando a pressão com a sapiência de quem conhece bem a dinâmica do mercado fonográfico.

Tudo começou com a divulgação do single “Nasty”, com um clipe que tinha tudo para ser hedonista, mas que veio para simbolizar (com a retirada de roupas, relógio, carro e correntes para pessoas do bairro) o quanto o rapper queria se entregar e voltar à crueza. Sem falar que ele suprimiu refrões e nos revolveu ao bom tempo de samplers industriais dos anos 1990, que enfatizam a voracidade dos versos.

Só que, antes de ouvir Life is Good, é bom preveni-lo: ele não está venerando a vida. Ele usa o termo como autoafirmação para superar o que passou e enfrentar o que vem pela frente – como o fato de se preocupar com os problemas da adolescência da filha relatados em “Daughters”.

(Ouve-se Nas repetir ‘life is good’ em diversas faixas, e isso pouco convence o ouvinte. Seria aí a graça do disco? Ele já mencionou que o disco tem paralelo com o clássico Here, My Dear, que Marvin Gaye gravou após se separar de Anny Gordy.)

Claro que nesse jogo de emoções é fácil vê-lo disparar com violência, como ele faz em “Accident Murderers”, em que divide vocais com Rick Ross: ‘Você pensou que tinha tudo planejado/Pensou que tinha seu homem’, diz Nas. Logo no começo dela.

Ou quando relembra as bases pesadas que inspiraram “The Don”, com uma produção bombástica de Salaam Remi cedida pelo falecido Heavy D. (Salaam que merece grande parte do crédito pela intensa base de “A Queen’s Story”, com lindos arranjos orquestrais que vêm de George Gershwin.)

Por mais que só a menção de Amy Winehouse cause burburinho, a parceria “Cherry Wine” soa como um tempero a mais na canja – canja que une ingredientes musicais do porte de Mary J. Blige (“Reach Out”), Anthony Hamilton (“World’s An Addiction”), Large Professor (“Loco-Motive”) e outros mais.

Faixas menos pesadas – “World’s an Addiction”, “Stay”, “Bye Baby” – também complementam o repertório de Life is Good, um disco que mostra o quanto a ausência de glória pode ser um caminho mais interessante do que possamos imaginar.

Melhores Faixas: “A Queen’s Story”, “Accident Murderers”, “The Don”, “Cherry Wine”, “Nasty”.