Gravadora: Sub Pop
Data de Lançamento: 20 de janeiro de 2014
O Mogwai coloca ‘delírio’ no nome do álbum, usa gravação de um carinha que sustenta uma ótima análise sobre ícones pop (citando a falta de substância de “Stairway To Heaven” em “Repelish”) e brinca de fazer música eletrônica com teclados como se recortasse parte da cena do krautrock.
Rave Tapes, o oitavo disco dos escoceses, traz novamente a substância post-rock que marca as quase duas décadas de atividade da banda. Isso será dito em qualquer disco que o Mogwai lançar, seja daqui há 10 ou mais 20 anos.
O que a banda faz efetivamente é traçar novas linhas dentro de seus padrões melódicos, testados, desenvolvidos e superados ao longo da prolífica trajetória.
Essas linhas completam-se aos poucos, suscitando ora em um prog-rock cromático como “Simon Ferocious” (uma das mais pesadas do disco), ora em uma atmosfera sci-fi, como “Deesh”.
Dentro da proposta de post-rock, talvez o Mogwai tenha sido a banda que melhor denotou um sentido de evolução. Quando a melodia é achada, eles praticamente a patenteiam. Tome uma “Hexon Bogon”: aquele começo parece ter sido uma cria aleatória, e quando as guitarras de Stuart Braithwaite e Barry Burns se convergem, a névoa do gênero toma conta. Quando nos damos por si, a melodia foi transfigurada como se uma sombra emergisse repentinamente.
Em “Master Card” o modus operandi é parecido, com um diferencial: é o baixo de Dominic Aitchison que mantém a linearidade, antes dos sintetizadores tomarem de assalto e arremessá-la a um rock elegíaco.
Limite nunca foi um termo associado ao Mogwai, e isso se afasta ainda mais em Rave Tapes. Da melancolia das baladas de Nick Cave, que parecem ter inspirado “Blues Hour”, à pilhéria vocoder de “The Lord is Out of Control”, que mais me parece uma alopração ao Daft Punk, o Mogwai prioriza e joga em segundo plano seu campo sonoro sem que o ouvinte fique atrapalhado.
Ainda que os padrões estéticos do gênero deem firmamento ao disco (como podemos ouvir em “Heard About You Last Night” e “No Medicine For Regret”), o Mogwai assimila com ousadia em Rave Tapes fragmentos de Kraftwerk, linhas de rock clássico e atmosferas assombrosas de dark-ambient.
A experiência da banda nos dá uma pista de que esses encontros podem ser intencionais, mas a qualidade com que isso é conduzido só comprova que o post-rock seria alguns por centos mais chato e redundante sem o Mogwai.
