
Gravadora: Because Music




Só de mostrar que é possível ser indie, dançante, otimista e feliz, o Metronomy já mereceria destaque. Em seu terceiro álbum de estúdio, o grupo entra no clima tropical das pequenas cidades que compõem a tal Riviera Inglesa com riffs à lá sunshine e um vigor contido que evoca a preguiça do calor.
Não sei o que você pensa, mas, para mim, a preguiça é um momento cobiçado. Não gosto de desperdiçá-la ouvindo baboseiras sonoras. Já que é assim, então pode-se dizer que The English Riviera é uma obra contemplativa da preguiça mesmo. E dá preguiça ouvir os baixos contínuos de Gbenga Adelekan ou o dueto confortante da baterista Anna Prior e o vocalista e principal compositor do grupo, Joseph Mount, na faixa ”Everything Goes My Way”.
Quando o grupo se deleita nas referências oitentistas, vemos um Metronomy conciso e quase sério. Mas é daí que brotam composições e arranjos eficazes, como se vê na dançante “The Look”. Há um ar de seriedade que indicaria caretice ou monotonia, mas o que finca mesmo é a perfeita simbiose entre loops de sintetizadores e guitarrinhas indie.
Dos trabalhos do grupo, The English Riviera, além de ser o mais maduro, é o que apresenta um Metronomy mais consistente coletivamente. Não fica apenas aquele ar de que Mount arquitetou tudo.
Há também um passeio bem conveniente a ritmos considerados calorosos, como o funk (“She Wants”), synthpop tipo Ok Go (“The Bay”) e eletroindie (“Corinne”). Mesmo quando soa reflexivo, o Metronomy segura bem: é o caso dos arranjos e letras admiráveis em “We Broke Free” e “Trouble”.
Um disco para o calor, com todas as coisas boas que este clima nos oferece.
Melhores Faixas: “We Broke Free”, “The Look”, “The Bay”, “Corinne”.
