01 Exu 02 Oya 03 São Jorge 04 Man Feriman 05 Rainha das Cabeças 06 Cobra Rasteira 07 Logun 08 Orunmila

09 Tristeza Não

Gravadora: Independente
[rating:5]

O que é o rock’n roll pra você? Riff de três acordes levado ao extremo pelos Ramones? Bateria a um milhão de pulsações criado por John Bonham e que pegou de vez a molecada geração Travis Barker? Urros, solos, Beatles, influência anglo-saxã, Elvis, Clash?

Olhe no dicionário e verá que seu significado universal se resume a um gênero de ‘batidas e ritmos fortes’, elemento mais que adequado pra pelego mexer a cabeça seja num bar, num festival ou no chuveiro.

Quer guitarra? Então acompanhe o riff de Kiko Dinucci em “Oya”. Se ainda não estiver convencido, confira a batalha de violões travada entre Kiko e Rodrigo Campos em “Logun”, apimentada com os sopros de Thiago França e o contrabaixo belicoso de Marcelo Cabral – parceiro que veio para agregar na nova empreitada do trio formado por Kiko, Thiago e Juçara Marçal.

Claro que rock’n roll pede um frontman que se destaca. Para tanto, distorcemos: que tal uma frontwoman como Juçara Marçal, que não precisa de (ou não demonstra) muito esforço ao cantar em iorubá (idioma falado no oeste da África e adotado em alguns ritos afro-brasileiros) e possui uma voz límpida, até que a bateria de Sérgio Machado esquenta e a cantora decide acelerar a colocação dos versos para implodir: ‘Epa hei oya/Epahei/Oya Roro/Oya aji loda’? Pode não entender, mas duvido que não tenha se arrepiado!

O MetaL MetaL é a química resultante de novas experiências de todos os músicos envolvidos, mas, nele, o que era experimental foi levado às agruras. Como pegar inúmeros componentes, separar em um único compartimento e… BUM! observar a explosão.

Algumas canções já foram apresentadas em shows e até outros projetos anteriores. Mas em MetaL MetaL,”Rainha das Cabeças” ficou rock’n roll a ponto de deixar “Ace of Spades” pra trás no quesito velocidade. “São Jorge”, já registrada no álbum Padê (de 2009, onde a parceria era fechada em Juçara/Kiko) apenas com voz/violão/percussão, ficou eletrizada com os efeitos no EWI de Thiago França, que ainda insere seu sax alto de acompanhamento. Ela ficou ainda mais híbrida com a bateria de Sérgio, resultando numa profusão de elementos do samba, do afro-beat e – porque não? – do punk!

Das inéditas, é surpreendente ouvir “Cobra Rasteira”, composição de Kiko com uma estética latina e, como bem disse Juçara em entrevista ao Na Mira, “lembra Cesária Évora”: ‘Nem todo trajeto é reto/Nem o mar é regular’, revelando um dueto com Kiko que, se por um lado não tem a agressividade das outras faixas, por outro se mostra a canção perfeita para dançar sem movimentos intrépidos.

A discussão sobre o que é ou não rock usualmente envolve paixão, nostalgia e conservadorismo. Nada contra os aficionados, muito menos contra os músicos linha de frente desse gênero tão explorado nos anos 1980 e 90 por essas bandas. Não é necessário reciclagem; basta olhar para diferentes direções para não arremessar o gênero ao ostracismo. Se não conseguir enxergar, o MetaL MetaL faz barulho pra te guiar. Neste caso, qualquer surdez será castigada.

A seguir, ouça o disco MetaL MetaL na íntegra. Para fazer o download, visite o site de Kiko Dinucci.

Melhores Faixas: “Oya”, “Rainha das Cabeças”, “Cobra Rasteira”, “Ogun”, “Orunmila”.