Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 19 de maio de 2015

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Três músicas, três sínteses: a tradição afrobrasileira em “Atotô”, o extremo do interessante termo afro-punk em “Me Perco Nesse Tempo” (um The Fall meets Arthur Verocai?) e o afluente amazônico em “Sozinho”.

Pode esperar novidade no novo disco do Metá Metá. Mas espere, também, onde a musicalidade transgênera do trio pode chegar

O curto EP do Metá Metá traz as facetas que já conhecemos de um dos melhores atos não só da música paulistana, como da música brasileira pós-2010.

Depois do desafiador trabalho exposto em MetaL MetaL (2012), o trio formado por Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França ampliou seu público na mesma proporção que os fuzzes vocais e instrumentais. Nas três canções do curto EP, eles antecipam o já aguardado terceiro disco. (Lembrando que eles não estão sozinhos: o EP é complementado por Marcelo Cabral, no baixo, e Sérgio Machado, na bateria.)

As linhas musicais de Thiago e Kiko soam mais retilíneas. É o encontro resultante que mantêm o impacto – óbvio que em menor proporção que o antecessor. Nessa etapa da carreira do trio, isso é importante, pois solidifica a inimitável estética burilada por eles.

O grande choque no EP fica a cargo de “Me Perco Nesse Tempo”. O acompanhamento vocal é torto, túrgido, catastrófico. Pela primeira vez, a associação com free-jazz cria sentido para o Metá Metá – não por conta das linhas de sax de Thiago, que trabalha esse tipo de liberdade musical com os MarginalS; o appeal, no caso, está no fraseado no-wave de Kiko e na voz exasperada de Juçara. Masada, DNA, AACM… Vai por essas vias.

Pode esperar novidade no novo disco do Metá Metá. Mas espere, também, onde a musicalidade transgênera do trio pode chegar.

A julgar por estas três músicas, não dá pra esperar algo negativo.