Gravadora: Nu Roots
Data de Lançamento: 22 de julho de 2016
Muitos podem não saber, mas antes de ser enquadrado no clichê paz e amor, o reggae foi um dos gêneros mais politizados das décadas de 1960 e 70.
Max Romeo foi uma de suas vozes mais detratoras – quem ouviu War Ina Babylon (1976), ao lado da banda The Upsetters (de Lee ‘Scratch’ Perry), sabe muito bem do que isso se trata.
Quarenta anos depois, Horror Zone mira um cenário bastante parecido: o mundo está um caos, a guerra acontece diariamente para os menos favorecidos e o apego à religião acaba sendo uma forma de buscar conforto em meio a todo esse fogo cruzado.
Para conceber o disco, o jamaicano de 71 anos contou com a publicidade de Daniel Boyle, que colocou o projeto no Kickstarter – da mesma maneira que fez, em 2013, com ‘Scratch’ Perry, para materializar Back On the Controls.
Perry mais uma vez participa da empreitada: pelo menos três faixas do tracklist ganharam versões dub manipuladas por ele.

G. Álbuns: Max Romeo & The Upsetters | War Ina Babylon (1976)
Mas, o que realmente importa em Horror Zone são os temas trágicos das canções. “What If” é o prenúncio do que Romeo pincela no álbum: ‘E se eu dissesse que o mundo está em problemas?’.
“Fed Up” é imbuído daquele som corporificado dos anos 1970, algo que o passar dos anos tem evacuado cada vez mais. Romeo fala de como as pessoas estão sufocadas pelo descaso – tema que, em “What is Life?”, é explorado num jogo perguntas e respostas.
De fato, Horror Zone padece das falhas muito usuais ao reggae: a dependência a um compasso rítmico que limita a fluência das composições. Em nenhum momento Romeo confronta isso, justamente porque tem ao seu lado alguns dos grandes instrumentistas do gênero: o trombonista Vin Gordon, o saxofonista Glen da Costa –com experiências em grupos consagrados, como Upsetters e The Wailers – e Robbie Lyn nos teclados (Peter Tosh, Black Uhuru).
Por outro lado, o reggae deixa de ser uma fábrica de experiências para se tornar um holofote. É dessa maneira que Horror Zone é mais beneficiado. Assim, canções como “The Sound of War” e a faixa-título ecoam como ritos messiânicos, clamando por misericórdia ao mesmo tempo em que denuncia mazelas.
Sim, sabemos muito bem: praticamente todos os grupos dos anos 1970 da Jamaica fizeram o mesmo, e mesmo assim, nada mudou. Horror Zone, longe de suscitar mudança, é um testamento de que a fé e a vontade de viver em um mundo melhor precisam ser mantidas.
