Gravadora: Sony
Data de Lançamento: 19 de janeiro de 2017
Avaliação: 6/10
Poucos relacionamentos entre compositores e escolas de samba são tão fiéis quanto o de Martinho da Vila com a Vila Isabel.
Desde que começou a cantar, comprometeu-se e não saiu mais de lá – algo que não é lá muito comum, tanto que sua filha, Mart’ nália, este ano assina o hino da Unidos da Tijuca.
O álbum Alô Vila Isabeeel!!!, assim, vem em dupla comemoração: os 80 anos de Martinho e os 70 anos da escola, que na verdade foram celebrados em 2016. É a segunda vez que Martinho homenageia a Vila Isabel; a primeira foi em 1984, com o disco Martinho da Vila Isabel.
Alô Vila Isabel
A nova homenagem de Martinho é resumida em 13 faixas, muitas delas compressões de diversos temas. Temos, ao todo, 25 sambas, número elevado demais para tantas músicas com propósitos semelhantes: enaltecer a alegria e habilidade da escola.
O álbum começa com “Quatro de Abril” (de Wilson Caetano e Nelson Nogueira), tema inédito domado pela cadência de Martinho em fazer com que o ouvinte preste atenção nos detalhes das letras. Já a seguinte, “Na Boca da Avenida/Só Sei que Sou Vila Isabel”, põe o ouvinte no ritmo carnalavesco frenético.
O grande samba-enredo “Kizomba, Festa da Raça” (Rodolpho de Souza, Luiz Carlos da Vila e Jonas) ganhou um tratamento divino no piano detalhista de Maíra Freitas, filha de Martinho. O tema de 1988, ano em que se completava centenário da abolição da escravatura, garantiu a primeira vitória da Vila Isabel no Carnaval e ainda soa edificante, propícia para um musical ambicioso.
Mais solta na cadência do samba, Maíra deleita-se nas muitas recordações entoadas pelo pai em “Vila Isabel/Graça Divina/No Embalo da Vila/Renascer das Cinzas”.
A filha mais conhecida de Martinho, Mart’ nália, dá o ar da graça na inédita “Segunda Opção”, formando sincero dueto ótima para arrancar bons passos na avenida.
Celebração em excesso
Apesar de muito animado, não demora para que Alô Vila Isabeeel vire uma daquelas intermináveis playlists de temas carnavalescos.
Assim, bons temas como “Filho Fiel” (com participação de Dunga) e “Pagode do Seu China” perdem-se em meio a tantas ovações à escola.
Samba bom nunca é demais, mas o álbum acaba soando excessivamente longo e torna a celebração cansativa e superficial.
Sim, Martinho, estamos ciente de sua devoção e fidelidade à escola, mensagem que já estaria bem assimilada se metade dos temas do disco fossem deixados de lado.
Leia também: O otimismo de Martinho da Vila no disco De Bem com a Vida (2016)
