Gravadora: 180 Selo Fonográfico
Data de Lançamento: 28 de outubro de 2015
Entre a extravagância e a mesmice do rock pairam os acrianos do Los Porongas. Eles não são apegados ao exagero, nem incorporam elementos de outros gêneros para fortalecer a instrumentação. Assim dizendo, não passam de uma banda convencional de rock nacional.
O que isso significa nos dias de hoje? Que não são suficientemente posers como Malta, nem musicalmente ousados como as publicações tanto esperam das bandas atuais.
Na maior parte do disco o vocalista Diogo Soares transita entre o significado do passado e alento para o futuro
Engraçado nisso tudo é que justo nesse meandro, das bandas que ainda protagonizam guitarras e compõem em português, que reside o suprassumo do rock atual. Sem alarde, Los Porongas é uma delas, num rol que inclui os grupos de Jair Naves, Vivendo do Ócio, Vitor Ramil, entre outros.
As composições do terceiro disco, Infinito Agora, não passam de impressões de caras na casa dos 25 e 35 que pendem no meio-termo da ideologia e do sentimentalismo, da localidade e do querer pertencer, da falsa felicidade e da melancolia. É indie, mas talvez convencional demais para as prerrogativas que fazem com que muitas outras escorreguem na tentativa de ser um novo Los Hermanos ou Arctic Monkeys.
Simples assim, o Los Porongas é Los Porongas. Basta conferir o nome das composições para entender o que interessa à banda. “Caminhos” segue na fluência de uma água corrente, ‘sem muita pressa‘. “Tarde para Voltar Atrás” mira o futuro de uma perspectiva positivista – não é ingênua, mas por outro lado não se vê na necessidade de pregar uma maturidade que inexiste. ‘Ninguém nessa estrada quer dizer adeus‘, diz o refrão, com coro de Bruno Gouveia.
Na maior parte do tempo o vocalista Diogo Soares transita entre o significado do passado e alento para o futuro. “Além do Impossível”, por exemplo, não se apega à lembrança alguma do que se foi – da mesma forma que não espera nada do que pode vir. O questionamento e o esquecimento se unem às perguntas que ele se faz diante do espelho. ‘Eu sei/Eu sei/Eu sei tudo que passou/Eu guardei em algum lugar‘. Não importa aonde. A graça é contemplar o limbo que permeia o fator transitório das coisas e ações.
Infinito Agora é um belo companheiro de viagem, principalmente mochilão, porque separa a personalidade do físico, deixando corpo e alma suscetíveis a novas experiências e novos paradigmas. A abertura à entropia é, sobretudo, espiritual: em “Morrenasce”, a vontade de abraçar o novo vem do âmago; é preciso ultrapassar a superficialidade. Mas é em “Dentro da Noite”, porém, que as guitarras valvulam e dão a deixa para que Diogo chegue junto com o verso que melhor serve como desfecho de Infinito Agora: ‘Quem não vive/Quem não vive/Quem não vive, morre‘.
