
Lee ‘Scratch’ Perry continua reinventando o dub, ritmo que ajudou a formatar por volta dos anos 70
Gravadora: M.O.D. Technologies




Lee ‘Scratch’ Perry é uma lenda viva. Aos 75 anos, ele poderia muito bem se aposentar colhendo os frutos de um legado rico como o frontman do Black Ark Studios da Jamaica, além de ter contribuído imensamente para a música britânica nos anos 70 e 80 produzindo bandas prolíficas do punk rock como The Clash.
Aos 75 anos, Lee ‘Scratch’ Perry gravou cerca de 6 álbuns em um período de 3 anos, sempre experimentando novos arranjos no ritmo que ajudou a formatar: o dub
Entretanto, muito pouco se fala dele. A Rolling Stone americana já chegou a incluí-lo na lista dos 100 Maiores Artistas de Todos os Tempos, mas, em uma reformulação de sua lista cada vez mais pop, sem mais nem menos o excluiu (assim como Miles Davis e John Coltrane, que não estão lá também…). Lee Perry continua produzindo aos montes: só nos últimos três anos, participou da gravação de 6 álbuns, número que nem mesmo as mais pops das bandas chegam perto. E, olha só, junto com sua experiência, vem uma qualidade sem precedentes.
E, agora, o criador do dub moderniza as raízes novamente com o lançamento de Rise Again, contando com o apoio do produtor e baixista Bill Laswell. Lee coloca o roots reggae com um som ambiente de fundo na canção introdutória “Higher Level”, que conta com a colaboração vocal de Tunde Adebimpe, do TV On The Radio.
“Scratch Message” exibe uma profusão de efeitos ornados pelo saxofone de Peter Apfelbaum, resgatando o rocksteady jamaicano dos anos 60, período em que o músico estava experimentando as primeiras nuances daquilo que se tornaria o principal mestre: o dub. (Ultimamente o músico tem aproveitado mais os instrumentos de sopro. Quando era produtor do The Wailers no período inicial, dizia que não gostava de sax talvez pelo abuso dos músicos jamaicanos naquele momento, que estouravam com o ska, mento e rocksteady.)
Boas contribuições para o disco não faltam. Além de Adebimpe e Peter, Bernie Worrell traz as referências de seu antigo Parliament/Funkadelic nos teclados repletos de psicodelia de “Orthodox”, em contraponto às raízes consolidadamente africanas da voz da etíope Gigi Shibabaw em dueto com Lee Perry. O trompete orquestral de Steven Bernstein em “Wake The Dead” cria uma espécie de nebulosidade para o clamor titânico de Lee ao pronunciar “Fiiree!!!”.
“Wake The Dead”
Worrell embarca na viagem sem fim do produtor em “E.T.”, com efeitos espaciais que remontam ao clássico Mothership Connection. O baixo de Josh Werner, junto aos instrumentos metálicos, recriam o ragga murphy na voz de Hawkman (do Method Of Defiance) em “Dancehall Kung Fu”.
Os instrumentos de corda aquecem quase sem chegar a lugar algum em “Inakaya (Japanese Food)”, que encerra um disco que, além de ser inovador nos arranjos musicais, é uma beleza só de audição.
“Orthodox”
Melhores Faixas: “Scratch Message”, “Wake The Dead”, “Dancehall Kung Fu” e “E.T.”
