
Klaxons – Surfing The Void



Se houvesse hoje uma seleção das melhores capas de CDs do ano, certamente o gatinho espacial que ilustra o álbum Surfing The Void, dos Klaxons, faturaria fácil. Entretanto, não se pode dizer o mesmo das canções que integram o tão aguardado álbum da banda de “new wave” (sic!), três anos depois do sucesso estrondoso de Myths Of The Near Future.
Não que ele seja ruim. Você que ouviu “Echoes” e “Flashover” (a melhor do disco, já aviso) anteriormente e se vislumbrou, pode colocar os pés no chão. Barulhento como o trabalho anterior, Surfing The Void procura fugir das rotulações indie que contaminaram a produção musical inglesa, mas acaba perdido no espaço. Repleto de referências alucinógenas (vide “Extra Astronomical”) e uma postura fora do comum (quem senão eles para afirmar que iriam direcionar verbas para a pesquisa de telepatia?), o álbum tem muitos pontos altos, mas está numa linha tênue demais entre a música barulhenta de qualidade e ruídos inaudíveis.
Klaxons: “Flashover”
A tentativa de oferecer ao ouvinte algo que foge da sonoridade ‘terráquea’ é bem-vinda, principalmente com os riffs sujos de Simon Taylor e os slaps de baixo de Jamie Reynolds, que estão longe de ponderar o ritmo das canções. É como se os Klaxons fugissem dos padrões rítmicos roqueiros na tentativa de expelir algo novo. Mas esse algo novo, que teima em sair, não existe. É pura abstração.
Talvez o álbum agrade mais os fãs de ficção científica, viagens espaciais, experimentos atmosféricos. “The Same Space” é nostálgica e tem o poder de cativar os adeptos da teoria do big bang graças às pedaleiras eletrônicas nas guitarras, sinalizando algo veloz como se a canção fosse gravada em uma espaçonave ativa.
Outra faixa de impacto é “Venusha”, que aparenta estar um pouco mais próximo do rock indie. Nesta canção, Reynolds consegue uma brecha sonora para fazer seu vocal prevalecer e, logo depois, dá espaço para a pegada dançante, que sempre esteve presente nos trabalhos dos Klaxons.
Surfing The Void, como já disse, é bom, tem potencial. Mas toda essa revolução aparente é abstrata. Assim como o anterior Myths Of Near Future, é repleto de referências galáticas abusivas, uma viagem que pode levar a caminhos obscuros demais, que te fazem sentir falta de algo mais ‘terreno’.
A ideia que se tem é que, para os integrantes dos Klaxons, a atmosfera é barulhenta demais. Preferia não sofrer essa imposição sonora.
