Gravadora: Polydor

O nome do título é pomposo demais e poderia soar uma contradição se não moldasse gêneros como funk e disco de maneira tão original. Não, não vá pensar que é um álbum de remixes ou que temos um artista novo à altura de um David Mancuso.

01 SEOD 02 Swingin’ Party 03 Anyone Can Fall in Love 04 Gee Wiz 05 Gee Up 06 House 07 That’s Alright 08 Cyan 09 Bombastic

10 Doigsong

Poderíamos dizer que Adam Bainbridge flutua entre o extremo da melancolia indie e das batidas groove, ou até que ele é estranho demais, já que seu som tem a dúbia capacidade de agitar as pistas da mesma forma que pode servir de inspiração para produções lo-fi em vídeo que poucos teriam saco para assistir.

Tudo poderia cair muito bem no divã do revisionismo classudo se artistas como Washed Out e Toro Y Moi não tivessem se destacado na cena a ponto de se tornarem a bica de sinuca de um movimento chamado chillwave no ano passado. (“Anyone Can Fall in Love”, versão de uma música do EastEnders onde divide vocais com Anita Dobson, é tão circular como uma roda-gigante para pré-adolescentes, mas suas batidas contínuas têm tudo a ver com Ernest Greene.)

Dizer que World, You Need a Change of Mind é um trabalho arriscado não chega bem a ser um erro, mas pode ser uma afirmação perigosa. O Kindness é mais ou menos uma junção de todos os aparatos underground que conquistaram a crítica especializada nos últimos anos: desconstrução estética, vocais oníricos, experimentações com synths e boa criatividade para agitar as pistas. Mesmo quando não inova é quase impossível não admirá-lo depois da audição da funkeada “Gee Up” ou das pulsantes batidas de ‘Swingin’ Party”, cover dos Replacements (além desta, Adam também fez sua versão de “Doigsong”).

Experimentações com instrumentos de corda como guitarra e funk são recorrentes neste disco – e a decisão de não abusar de órgãos hammond foi uma ideia sábia de Adam, o que dá mais crueza às suas canções. A fórmula de trabalhar com isso ele deixa bem explícita no ensaio com cara de B-side de “Gee Wiz”, onde guitarras e backing vocals conversam de forma distanciada.

Saxofones e instrumentos de sopro também dão um tom mais nostálgico à faixa inicial “SEOD” ou na bela experimentação de “That’s Alright” que, de um belo solo que poderia ser creditado a um Wayne Shorter, cai para um hip hop nos primórdios de um Run D.M.C. e atinge a aura com vocais femininos entremeados a produções esfuziantes dignas de um Johnny Greenwood inspirado por Grandmaster Flash. Esta aí é, certamente, uma das melhores músicas do ano até agora.

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A seguir, ouça o disco World, You Need a Change of Mind, do Kindness, na íntegra:

Melhores Faixas: “Swingin’ Party”, “Gee Up”, “That’s Alright”, “Doigsong”.