Gravadora: Sinewave
Data de Lançamento: 24 de março de 2014

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Pluvero foi concebido como conexão musical única, uma espécie de algo conceitual. Talvez trilha de um filme sci-fi com questionamentos existenciais, o segundo disco da banda Kalouv quebra o compromisso com o post-rock para encontrar levemente o acid-rock, o shoegaze e o progressivo.

Assim, o conceito se propaga na interessante dinâmica criada pelo grupo para uma sonoridade híbrida.

Cada faixa contida em Pluvero difere uma da outra, tendo em vista a atmosfera exploradora não muito longe do que se firmou como som já usual da banda. Isso dá segurança para que se entregue aos acordes do piano em “Limiar” com a mesma capacidade em que faz uso do drone à lá Godspeed You! Black Emperor na primeira faixa, “Areno”.

Em “Namazu”, a melodia e o barulho já estão mais entrelaçados, como em um ótimo arroubo do Mogwai. “Durango” é mais direta e assimilável para quem conhece o trajeto de outras bandas do gênero. É uma boa composição (algo que se confirma com as entradas das guitarras de Saulo Mesquita e Túlio Albuquerque), apesar de não muito diferente assim do que você já possa ter escutado.

Nesse novo rumo musical, o Kalouv acertou as contas com as procuras melódicas. O barulho é pano de fundo, menos essencial no parâmetro musical da banda. Serve mais para deixá-la estabilizada no ambiente em que foi surgida, apesar de não haver nenhuma diferença gritante ao que a banda propôs em Sky Swimmer (2011).

Isso transforma Pluvero em um disco mais bem-sucedido como obra de boa carga emocional do que de carga estética. Porque tais encontros, de uma forma ou de outra, deságuam em profundas emoções – algo melhor proporcionado por instrumentos mais acústicos.

O diálogo teclado e trompete, mostrado em “Boa Sorte, Santiago”, soa mais prazeroso que a entrega ao rock que se atinge conforme o andamento da canção. Em “Es Muß Sein”, o Kalouv admite sem fugir de sua esfera instrumental essa entrega grandiloquente ao sentimento.

Em “Algul Siento I”, o piano e a guitarra fogem de qualquer conceito de unidade. Se convergem e vemos um dominar ao outro com suas características; o teclado, contínuo, com sua capacidade de emocionar; e as guitarras fritadas supondo algo raivoso e intenso.

Assim como boa parte das 10 faixas de Pluvero, “Algul Siento I” indica diferentes direções em um campo aberto de possibilidades. Tais possibilidades são exploradas em um eixo que, se por um lado habita a esfera post-rock, por outro sugere tramitações interessantes no gênero.