Gravadora: Domino
Data de Lançamento: 4 de maio de 2018
Avaliação: 5/10

Na música eletrônica, álbuns com propostas narrativas não escondem o desejo de se mostrarem ‘orgânicos’, como se tivesse que associar o gênero a um comportamento musicalmente fluido.

Considero isso uma verdadeira balela: a eletrônica não precisa se encaixar em um tipo de formato tradicional para se provar ‘musical’.

Essa tentativa de ser orgânico é perceptível da seguinte forma: o compositor cria uma ambiência tímida até que, aos poucos, a força das batidas atingem um ápice, e assim sustentam a canção.

Em Singularity, Jon Hopkins faz isso da maneira mais clichê daquilo que realmente se esperaria de alguém que está trabalhando em uma trilha sonora – embora o 5º álbum não seja tema de nenhuma série ou filme.

Na tentativa de ser orgânico, ele vai ainda mais longe: suas músicas parecem várias microhistórias que se conectam.

Singularity: eletrônica ou ambient?

Parece interessante, mas não é tanto assim. Isso porque essas histórias apostam mais no vaivém narrativo, estética que seria interessante, se não chegasse ao enfadonho.

E esse enfado acontece mesmo nos singles mais potenciais do álbum, incluindo “Emerald Rush” e “Everything Connected”, tão dependentes da força do grave que se destacam como obviedade de singles. Se fossem lançadas isoladamente, talvez esse questionamento perdesse o sentido. Mas a real é que esse esquema norteia toda a proposta de Singularity, tanto que não demora muito para ele se tornar desinteressante.

Um dos piores aspectos de discos que buscam organicidade é o apego a sonoridades ambient – principalmente quando existe algum tipo de vínculo com techno, como é o caso de Jon Hopkins.

Não à toa, as melhores canções do disco são justamente as mais envolventes, caso de “Neon Pattern Drum”, por exemplo, cujas pontuações sucessivas acompanham um constante aumento de volume. Não é bem uma canção pras pistas, mas pode-se dizer que é efetiva em renovar energias.

A melancolia que toma Singularity a partir de “Echo Dissolve”, porém, joga o ouvinte pra baixo com a força de uma bigorna. Monótonas até mesmo para concertos minimalistas, a trinca que fecha o disco reúne as características mais tediosas do que seria um tipo de ‘pureza musical’. Então, o teor reflexivo acaba intoxicando a narrativa. Permanece um vazio que transfigura o que deveria ser singularidade em opacidade. ​

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