Gravadora: Roc-A-Fella/Def Jam/Roc Nation
Data de Lançamento: 8 de agosto de 2011
Avaliação: 6.5/10
Uma coisa não se pode negar: JAY-Z e Kanye West são duas autoridades da música pop. Se por um lado Jay é um dos caras que está por trás de todo esse hedonismo que cerca o hip hop, pode-se dizer que We é responsável pela intersecção com a soul music e o R&B. E essa habilidade de ambos vem crescendo de forma exponencial: JAY-Z é o homem de negócios da indústria musical negra mais bem-sucedido dos Estados Unidos; Kanye West é o tal gênio incompreendido que se compara a Hitler e não tem medo de chamar quantos músicos for para integrar sua vaidosa orquestra musical, como ficou bem evidente em My Beautiful Dark Twisted Fantasy.
Do alto do Olimpo criado por eles mesmos, se juntaram novamente para algo mais complexo e longevo, que resultou no disco Watch the Throne, um dos mais esperados pela crítica e pelo público em 2011. Poucos artistas tiveram a oportunidade de compartilhar algum vocal ou meter o bedelho nas incursões obsessivas dos dois rappers. Beyoncé, com todo o seu ar de diva, entrou numa viagem lunática em “Lift Off”, cujo início poderia muito bem servir de vinheta para um comercial de grife em horário nobre na televisão. Frank Ocean, o lado afetivo do anárquico Odd Future (de Tyler, the Creator), participa das canções “No Church in the Wild”, que abre o disco, e “Made in America”, exibindo um vocal que poderia concorrer pau a pau com R. Kelly.
As 16 músicas do álbum podem soar um pouco cansativas, mas pelo menos divergem uma da outra. Incomoda a forma como eles obrigam Curtis Mayfield a compartilhar um dueto eletrônico com vozes esvoaçantes que induzem à punição em “The Joy”, talvez um lado B do disco. Sem falar no silêncio desnecessário de exatos três minutos em “Illest Motherf**ker Alive”, que separa o lado bônus do álbum.
Com Otis Redding o reducionismo é ainda maior, já que a sua voz apenas pontua as rimas em “Otis”. Entretanto, ela tem uma ligação nostálgica muito forte, interligando o passado da black music com o presente, como se Jay e We fossem os atuais condutores da indústria musical negra. (Ainda que Spike Jonze provavelmente queira tirar do currículo o clipe dessa música, provavelmente assinado por um cachê exorbitante.)
“That’s My Bitch” remonta à selva com percussões a todo vapor em meio a synths pop e scratches nervosos. Em “New Day”, o autotune busca a melancolia mas acaba atingindo o tédio. “Niggas in Paris” é mais Blueprint 3 de JAY-Z do que o auge de The Black Album.
JAY-Z e Kanye West acertam em cheio quando buscam inovações pop, como a sutileza dos instrumentos de corda casando com um coral juvenil em “Murder To Excellence”, que é ambientada em um contexto sociopolítico com a ajuda de Swizz Beatz e S1. Ou mesmo no sentimento pueril de “Why I Love You”, com as vozes em autotune de Mr. Hudson.
Ainda que sejam autoridades não tão musicalmente imensas como eles imaginam, JAY-Z e Kanye West são dois poderosos. Eles nos fazem enxergar esse Olimpo imaginário não apenas pela riqueza, mas pela qualidade e inovação musical dentro do cenário do hip hop mais pop. Mas há que colocar um ponto crítico em tudo o que eles fazem. Watch the Throne exibe as fragilidades e pontos fracos de cada um dos dois. Poderia ser descrito como um álbum importante na carreira de ambos, mas dá a impressão de que eles próprios estão querendo entrar em uma zona de conforto. Talvez a importância deste disco cresça depois de Jay e We lançarem mais discos.
