Gravadora: Warp
Data de Lançamento: 15 de junho de 2015
Lantern é um disco totalmente 2015 porque reagrupa as ambições de produtores e cantores pop que almejam algo que os aproxime à grandiosidade.
Não que Hudson Mohawke seja o nome mais próximo disso; o que o escocês realiza é um compêndio estético que coloca música pop à lá Sia (“Warriors”, com participação de Rickazoid e Devaux), devoção ao old-school (“Ryderz”) e produção saturada tipo PC Music (“Bring Us Back”) no mesmo balaio.
Hudson Mohawke não canta e sua expressividade parece estar marcada em abordar diferentes formas de impacto. Se linearidade não é a boa pedida em Lantern, sobram abordagens
Depois que formou com o canadense Lunice o TNGHT, redefinindo a trap music e estabelecendo a direção saturada das produções de Kanye West e Waka Flocka Flame, a dupla decidiu dar um tempo para que cada um pudesse focar em seu próprio repertório. Seis anos após o debut Butter, Mohawke quebra as trincheiras que separam as novas das velhas inspirações na música eletrônica como um todo – ainda que Lantern esteja longe de ser um disco somente de eletrônica.
Cada música é um tiro diferente: ele segue na via ambient/futurista em “Kettles”, para, em seguida, detonar os tímpanos com um glitch nervoso em “Scud Books”. “System” é justamente o contraponto raver da psicodelia lenta e emocional na voz de Miguel em “Deepspace”.
Mohawke não canta e sua expressividade parece estar marcada em abordar diferentes formas de impacto. Se linearidade não é a boa pedida em Lantern, sobram abordagens. Elas abrangem da gélida produção de “Indian Steps”, onde Antony Hegarty contribui com composição melancólica, ao breakbeat dinâmico de “Lil Djembe”. Isso de forma repentina, de um minuto a outro.
Discos com gama tão variada de sonoridades são mais propensos a desagradar, porque carecem de uma unidade que interligue uma canção à outra. Até nesse ponto, Mohawke sai em vantagem: primeiro, porque tem ciência da procura mais constante dos ouvintes por singles; também porque sabe que o pop, per si, compreende do bagaço melancólico à exacerbação barulhenta. Lantern está longe de ser um dos discos mais vendidos de 2015, mas muito próximo de sedimentar os rumos multifacetados da música pop – como bem fez a compilação do PC Music.
Kanye já se antecipou ao trazer Mohawke para participar em Yeezus (2013) – tanto que, inclusive, o chamou para colaborar em compilação do selo G.O.O.D. Music. Muitos outros farão o mesmo daqui em diante, com o propósito de munir suas canções pop com a robustez sonora de um dos produtores que melhor entendem as novas necessidades musicais, de forma criativa e arrojada.
