01 When I Was in Trouble 02 Cold Nites 03 Say My Name Or Say Whatever 04 Running Back 05 & It Was U 06 World I Need You, Won’t Be Without You (Proem) 07 Struggle 08 How Many 09 Talking To You 10 Set It Right

11 Ocean Floor For Everything

Gravadora: Acéphale/Weird World

Os vocais baixos quase sussurrantes, a melodia compassada e os temas que falam de sentimentos através das perdas fazem com que muita gente associe o trabalho de How To Dress Well ao R&B.

Mas a grande sacada é que o projeto de Tom Krell faz do gênero uma plasticidade, como se o R&B fosse não o meio de expressar a sua arte – por vezes depressiva – mas a farinha de trigo de uma torta cujo agrado está em um recheio difícil de definir o sabor. (Talvez seja essa dificuldade, ou a preguiça que ela gera, que leve alguns críticos a classificarem HTDW como R&B.)

Então, o que Krell faz? Se for para catalogar em um gênero, mais justo seria dizer que é lo-fi.

Em Total Loss, seu segundo disco, o músico faz de seus sentimentos uma revelia densa que leva o ouvinte não a ficar depressivo e cantar canções como “Cold Nites” e “Set It Right” após passar por uma tragédia familiar – coisa que realmente aconteceu com o músico, que perdeu um tio, o melhor amigo e viu sua mãe se afundar na depressão em pouco tempo.

O interior de Tom Krell é catapultado para algo contemplativo. De repente você se pega pensando: ‘por que ele joga uma síncope de música pop e sintetizadores em “Struggle”, onde relembra momentos passados com uma pessoa querida com vocais nebulosos, quase inaudíveis?’

Essa vontade de decifrar fica ainda mais aguçada com o hibridismo das sonoridades, que uma hora pode usurpar aquela faceta pop abusada que vem de grupos vocais (do Temptations ao N’Sync, em “& It Was U”), e em outra te transportar para uma correnteza melancólica típica de um Bon Iver (“Say My Name Or Say Whatever”).

Focado em perdas que têm tudo a ver com a turbulência que a vida pessoal de Krell se transformou, Total Loss exibe um cuidado meticuloso em erigir essas sentimentalidades com um hibridismo que mescla o famigerado do-it-yourself com sonoridades abstratas de gêneros que vão do pop à música clássica. Mesmo assim, o disco ainda se mostra mais acessível que o anterior Love Remains – talvez por conta da produção de Rodaidh McDonald, que já trabalhou com o The xx.

Em canções como “Running Back”, vemos que as referências de seu som são quase como interferências. Tal qual um Prince minimalista, ele brinca com a sensualidade vocal te transportando para memórias afetivas que surpreendem mais pelo estranhamento que pela comoção.

“Talking To You” se aproxima daquilo que Frank Ocean fez com maestria em channel ORANGE: um R&B cáustico com vocais borrados, como se tivesse sido composto em uma neblina. No entanto, onde Ocean empunharia guitarras para expelir algum tipo de ardor, Tom Krell se beneficia jogando mais densidade nos violinos para uma elevação que se mostra catártica em sua sutileza – talvez o ápice de onde o músico realmente queria chegar.

Melhores Faixas: “& It Was U”, “Struggle”, “Talking To You”.