01 Away/Towards 02 Form & Function 03 I 04 In Our Time 05 Since We Have Changed 06 Preservation 07 II 08 What We Talk About

09 III

Gravadora: Gringo Records

É guitarra que você quer? Então, saiba de prontidão: você precisa de Hookworms.

Como encontrá-lo? Navegue bem na barulheira Sonic Youth fase Sister (1987), dê um breve alô na sujeira do The Kills, passeie pelo Deerhunter, relembre Spaceman 3 e deixe que o noisy preencha o restante.

Pearl Mystic, o disco de estreia do grupo, tem bem mais que isso, é verdade. As linhas de guitarra de JW e SS (isso mesmo, eles só usam iniciais) transitam entre a psicodelia e a agrura. Há espaço para uma viagem lisérgica como “In Our Time” numa dose tão intensa quanto as fritadas de “Form & Function”, que joga Pixies num espectro esfumaçado. O órgão de MJ deixa as coisas ainda melhores.

Logo de início, “Away/Towards” sugere um teletransporte. É como se levasse o ouvinte para um sonho onde não tem essa de ‘novos tempos’, ‘novo jeito de tocar guitarra’, ‘novas procuras musicais’.

Nesse sonho, o Hookworms propõe um delírio estético. É como se a banda entendesse muito bem o que falta para fazer um rock de foder as espinhas nos dias de hoje. Ora bolas, porque não aproveitar o melhor da psicodelia, o melhor das guitarras, o melhor que a agressividade punk nos entregou e nos sublevar, nos garantir um momento de catarse pela forma catártica de fazer música?

“Since We Have Changed” veio para subverter qualquer noção de dreampop mas, se você clama por movimento, vai agradecer ao se deparar com a que vem em seguida: “Preservation”. Os vocais quase irreconhecíveis de MJ são ofuscados pela dinâmica stoner da bateria de JN e os pedais tremeluzentes e insanos de guitarra.

Sem medo de cair na estranheza em belos medleys como “I” e “II”, o Hookworms movimenta-se livremente. E vai como pensamentos divagando, seja na etérea “What We Talk About” ou na já citada “Preservation”, que parece uma trilha de muita ação, movimentação e aflição. Se os solos sujos nos minutos finais significam algo, bem, talvez o seu desejo tenha sido realizado – no sonho, claro.

Deixando de lado aquele velho papo de ‘disco certo na hora certa’, Pearl Mystic penetra qualquer barreira temporal para provar que música boa não precisa de rótulos ou de tempo adequado. Sem querer cair naquele papo besta de ‘bom e velho rock’n roll’, que não se aplica à proposta do Hookworms, este disco é prova viva de que possibilidade nenhuma se esgotou há 25, 30 anos atrás.

Tudo ainda perdura no sonho. Ou em tempos vãos. O Hookworms só fez o favor de materializá-los.

Melhores Faixas: “Away/Towards”, “Form & Function”, “Preservation”.