01 Sleeping Ute 02 Speak In Rounds 03 Adelma 04 Yet Again 05 The Hunt 06 A Simple Answer 07 What’s Wrong 08 Gun-Shy 09 Half Gate

10 Sun In Your Eyes

Gravadora: Warp
[rating:4]

“Sleeping Ute” é épica do começo ao fim: os instrumentos de corda entram em confronto, apimentado pela bateria ácida de Christopher Bear, até que os teclados controlados por Daniel Rossen jogam mais lenha na fogueira.

Um violão intempestivo gera a tensão e um solo de guitarra com cara de amador rouba a cena, desnivelando a canção de tal forma que você não sabe onde ela vai parar. Não antes que o Grizzly Bear pare os motores aos poucos para te fazer navegar em um oceano límpido, de águas cristalinas.

Não é lisergia não; é essa mesmo a atmosfera de uma música pop que beira a perfeição.

Em “Yet Again”, temos uma estrutura mais consolidada. Os efeitos são meros contornos de uma canção que clama a importância do distanciamento de duas pessoas próximas. Violão e bateria sugerem melancolia, mas a sutileza do baixo de Chris Taylor leva a canção para outros caminhos. E, quando chega o refrão, somos alavancados pela guitarra e o crescendo atinge uma aura pop, bonita de se cantar, mais linda ainda de se ouvir.

E aí entra a questão: dois singles de peso fazem de um álbum de 10 faixas um bom disco?

“Sleeping Ute” e “Yet Again” são duas beldades, joias raras. Mas a novidade nem é essa.

De certo modo, são fragmentos indissociáveis da prolífica carreira do Grizzly Bear, banda de indie-rock do Brooklyn que chega ao quarto disco surpreendendo até mesmo quem já pirava com as escatologias sonoras de Yellow House (2006) e a articulação pop de Veckatimest (2009).

É por essas duas canções que você logo vai vibrar com a quase-alegre “Speak in Rounds” e a cavernosa “The Hunt”, que parece movida por pêndulos.

A bateria circular de “A Simple Answer” a transforma em um possível hit, com riffs de curta duração fazendo breves aparições. Os sintetizadores também estão lá, mas apenas para deixar a faixa mais flutuante, para entrar melhor na mente dos ouvintes.

O início de “Half Gate” remete claramente a um som barroco. A sonoridade parece movimentar uma câmara suntuosa, com velocidades moderadas que antecipam uma bateria acelerada de Christopher, que te joga no espaço, em busca dum sentido lógico. ‘Um lugar que já esteve antes/Desenhe e arraste-o(…)/E no fim da linha/É como se não houvesse tempo para todos’.

Não caia nessa pegadinha de ‘duas músicas boas, e só’. Vale muito mais a pena encarar um disco quando essas ‘duas músicas’ são apenas o interlúdio de uma beleza ímpar.

Um conjunto não de singles – mas um conjunto atmosférico que faz do Grizzly Bear uma das bandas de rock mais relevantes da atualidade. (E, por mais que você já tenha ouvido falar de “Two Weeks”, saiba que a progressão da banda vem desde Yellow House.)

Melhores Faixas: “Sleeping Ute”, “Yet Again”, “A Simple Answer”, “Half Gate”, “Sun in Your Eyes”.