Gravadora: Warp
Data de Lançamento: 19 de agosto de 2016
Som do terror que se dissolve em thrillers fragmentários, explosões sônicas e enredos cinzentos. O hip hop eletrônico do Gonjasufi pega apenas alguns elementos desses gêneros.
Em seu terceiro disco, Callus, dá pra imaginar as trilhas do Goblin e o horrorcore do Three 6 Mafia habitando em mesma órbita.
As cruzes da capa do disco não estão ali por acaso. A inicial “Your Maker” é típica de um rock gótico que vai se entregando aos preceitos caseiros do lo-fi – algo que o brasileiro Lingering Last Drops já desenvolve há alguns anos.
Já a seguinte, “Manic Depressant”, faz um misto de slow-core com baterias programáticas, instaurando um clima sombrio que vai prevalecer nas 17 faixas seguintes.
Essa obscuridade prossegue no tribalismo digital das batidas de “Afrikan Spaceship” e “Carolyn Shadows”, é levado ao extremo do metal avant-garde, com ajuda das guitarras de Pearl Thompson (The Cure), em “The Kill”, e devota uma honraria à abordagem do Suicide em “Krishna Punk”, herdeira direta de “Ghost Rider”.
Nesse quesito, o Gonjasufi não optou por radicalizar ao máximo a tensão sonora. Se o citado Suicide tem lá sua “Frankie Teardrop”, Callus a despedaça em diversos takes, captando o ouvinte em momentos distintos – seja na ligeira corrida de “The Conspiracy”, no horror derretido de “Poltergeitst” ou no andamento estranho das batidas de “Devils”.
A ideia do Gonjasufi é descentralizar as apreensões, mostrando que a aflição e o conflito interno são mais complexos do que imaginamos. Não é pra ter medo; é pra contestar suas reações mesmo.
