Gravadora: Biscoito Fino
Data de Lançamento: 28 de setembro de 2018
Avaliação: 8/10
Gal Costa diz ter se inspirado na black music dos anos 1970, mas seu novo álbum, A Pele do Futuro, incorpora uma visão de mundo que encara observações e sentimentos distintos como se fossem edificantes.
Essa percepção vale até mesmo para relatos mais intimistas, como “Palavras no Corpo” (de Silva e Omar Salomão), em que repete ‘ninguém diz eu te amo/Como eu’. Isso porque, para Gal, está ok declarar-se sem esperar correspondência.
Da mesma forma que, para Gal, também está ok não ter um amor para se dedicar. É exatamente disso que se trata “Livre do Amor” (Adriana Calcanhoto), que celebra o bom momento após uma ruptura a dois. Afinal, nada mais propício para que a cantora esteja ‘comigo só pra mim’, evitando desilusões e organizando melhor a sua vida.
E, se é preciso de estímulo para o amor-próprio, nada melhor que a parceria com Marília Mendonça em “Cuidando de Longe”, um hino maduro à autoestima.
Gal Costa não é ‘menina’
Em tempos em que a individualidade é superestimada, a persona Gal coloca na balança seus mais de 50 anos de experiência artística. ‘Vou deixando um pedaço de mim a cada caminho/Transformando flores em espinhos’, filosofa Gal em “Vida que Segue” (Hyldon), uma de suas melhores interpretações desta década. ‘Não sou mais uma menina’.
Não que a maturidade tenha sido um trajeto fácil. A Pele do Futuro faz questão de enaltecer os pontos positivos da jornada e vislumbrar uma claridade, mas em trechos como “Viagem Passageira” (Gilberto Gil) Gal soa reflexiva, reafirmando que o tempo é senhor das coisas e ajuda a dar um norte para a vida.
Claro que perdas acompanham os tempos de estrada – como a mãe, lembrança que enaltece ao lado da longa parceira Maria Bethânia em “Minha Mãe” (César Lacerda/Jorge Mautner).
A seguinte, “Mãe de Todas as Vozes” (Nando Reis), trata de dar uma tonalidade mais positiva à progenitora, como se fosse parte dessa Gal que se agiganta ainda mais em um de seus álbuns mais maduros.
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