
Foo Fighters: Nate Mendel (baixo), Taylor Hawkins (bateria), Dave Grohl (vocal e guitarra) e Chris Shiflett (guitarra)
Foo Fighters – Wasting Light




O peso sonoro está para Dave Grohl assim como o experimentalismo está para Thom Yorke. São nesses distintos campos que os artistas mantêm o domínio e, quando mais se aventuram em explorá-los, melhor se saem.
Não obstante, os melhores resultados do líder do Foo Fighters, na banda, ficaram cravados no já longínquo ano de 1997, com o lançamento do segundo álbum, The Colour and The Shape. Grohl tocou praticamente todos os instrumentos e conseguiu moldar a banda da forma que queria, suavizando a intensidade do Nirvana em um âmbito mais pop. Com isso, cultivou milhares de fãs.
Em 2002, Grohl teve outro ponto alto na sua carreira: tocou bateria no disco Songs For The Deaf, do Queens Of The Stone Age, e redefiniu a sonoridade do grupo e os caminhos do rock na década passada. Em 2009, formou o Them Crooked Vultures com John Paul Jones (Led Zeppelin) e o parceiro Josh Homme, do QOTSA. Seu vigor na bateria, aliado aos riffs muito bem encaixados de Homme e as destoadas fantásticas de Jones, alçaram o supergrupo a um patamar gigantesco: o debut chegou a ser selecionado um dos melhores lançamentos fonográficos do ano.
Eis que Grohl se vê com o compromisso de manter acesa a chama dos fãs do Foo Figters, grupo que havia mais se tornado um culto do que uma essência no contexto roqueiro. Não por Grohl, que sempre teve talento para fazer valer o amplo reconhecimento que tem. Talvez faltasse uma sinergia a mais para o grupo: tentar encontrar essa identificação sonora, perdida há mais de dez anos atrás, era um longo caminho a percorrer.
Com Wasting Light, Dave Grohl provou o contrário: é possível manter a mesma estética e entregar um trabalho melhor elaborado, mais consistente. E ele decidiu recorrer ao peso sonoro, seu grande artifício. “Bridge Burning” abre o disco com um riff tácito que indica que algo barulhento está por vir. Então chega a bateria de Taylor Hawkins, como se fosse uma manada de elefantes, dando pulsação a um dos refrões mais pegajosos de 2011.
Quando Grohl afirmou que este seria o trabalho mais pesado do grupo, a expectativa foi grande. E o álbum atende a todas elas. A mais atípica canção do grupo, “White Limo”, incorporou essa constatação com um videoclipe que contava com a presença de ninguém menos que Lemmy Kilmister, o lendário líder do Motörhead, que dispensa apresentações. Pra mim, essa é a melhor música do álbum, porque mostra o potencial da banda em fazer uma leve incursão pelo heavy metal. Se o disco todo seguisse essa pegada, o resultado seria pífio. Mas essa pitada foi mais que necessária diante das palavras do vocalista.
“Arlandria” toma de volta a pegada grunge com as guitarras à lá Them Crooked Vultures (“Caligulove”, “Elephants”). Na canção, Nate Mendel segue uma bela linha melódica no baixo.
“Back And Forth” é uma faixa mais encorpada, totalmente pop, com uma letra interessante. Grohl diz no refrão: “Estou à procura de uma ida e vinda contigo. Você está sentindo o mesmo que eu?”
Na intensidade sonora que tanto faz bem para o Foo Fighters, Grohl conseguiu expelir baladas pop que ficarão na cabeça dos ouvintes por um longo tempo. Talvez essa seja a simbiose que melhor define o legado do vocalista que, por mais que esteja longe de seu epíteto criativo, já carrega uma bagagem de fazer inveja a qualquer músico de rock. Graças ao peso, é claro!
Clique aqui para ouvir o álbum na íntegra.
