Gravadora: DFA Records
Data de Lançamento: 19 de agosto de 2016

Quando Matt Göttsching deu importante passo para revolucionar a eletrônica, com E2-E4 (1984), a repetição era encarada como parte estrutural importante. A insistência dela era, também, parte de seu desenvolvimento.

Trinta anos depois muita coisa mudou. Equipamentos que facilitam transições sônicas alimentam uma demanda que inevitavelmente cobra mais criatividade da parte estrutural da eletrônica. Talvez isso ajude a entender por que Skrillex e Diplo sejam mais venerados, por exemplo, que Dark0 e Factory Floor.

O segundo álbum do duo Gabriel Gurnsey e Nik Void tem batuta do venerado James Murphy (LCD Soundsystem). 25 25 não ignora essas transições da eletrônica, mas encara a composição como algo inerente a esses tempos antigos.

Em “Slow Listen”, por exemplo, o techno recorre às bases, persistindo naquele elemento instigante, mas com picos controlados de explosão.

A faixa inicial, “Meet Me at The End”, sugere interessante dissolvição rítmica, mas acaba se transformando num exercício rebarbativo que dura longuíssimos 8 minutos.

É exatamente a questão temporal que faz de “Wave” – num esquema que parece herdado do turntablism até evoluir para um som que, munido de mais graves, certamente colaria nas raves mais lisérgicas do gênero – uma experiência de repetição cansativa.

O Factory Floor sabe como poucos inserir elementos e amarrar as sonoridades numa única peça. Vem daí o opus de criatividade dentro do techno. Mas, sabe aquela partida de sinuca em que o jogador aposta apenas nas tacadas mais lentas para prender a bola na boca? Parece que a extensão do jogo é o único recurso que faz com que esse jogador ganhe, ali, na paciência.

Acontece algo parecido com o Factory Floor. Infelizmente a urgência dos tempos atuais pede músicas mais ligeiras, hábeis, efetivas. 25 25 consegue isso, mas a partir de uma audição exaustiva.