01 Run the Jewels 02 Banana Clipper (ft. Big Boi) 03 36″ Chain 04 DDFH 05 Sea Legs 06 Job Well Done (ft. Until the Ribbon Breaks) 07 No Come Down 08 Get It 09 Twin Hype Back (ft. Prince Paul)

10 A Christmas Fucking Miracle

Gravadora: Fools Gold

Run the Jewels é o lazer dos rappers Killer Mike e El-P (também produtor). Ambos trabalharam duro para entregar dois dos melhores registros do gênero no ano passado (R.A.P. Music, de Mike; Cancer 4 Cure, de El) e, para desanuviar, tirar uma onda ou simplesmente se entreterem, resolveram oficializar uma parceria que já existia há algum tempo.

Então, esqueça a veia política de um ou a síntese reflexiva do outro quando se deparar com o disco. As batidas fortes, composições típicas do gangsta-east-coast e synths no mais alto volume são pilhas carregadíssimas para os flows intensos de Mike – e justapostos de El-P.

São 33 minutos de pancadas ininterruptas com uma produção invejável.

Versos como a bombástica ‘O par que formamos bate a merda fraca que você tem’ (da faixa-título) parecem levar o ouvinte para o mais do mesmo, mas tudo fica bem mais interessante quando se percebe que tons sarcásticos (‘Bunda-moles como eu têm se provado tão certos’, da agitada “Get It”) ou letras que remontam ao período áureo do rap (confira a intro de “DDFH”, que compara a polícia à Gestapo e, no verso seguinte, os arremessa ao poço da ojeriza) fluem naturalmente em um disco que não tem medo de ser irrelevante. Pois o descompromisso faz Run the Jewels ser um disco tão bom.

As 10 faixas se divergem bastante entre si no quesito produção. Por outro lado, a conexão dos diferentes estilos de rimar se sustentam pela mútua cumplicidade. Eles nunca precisaram apelar ou recorrer a endeusamentos desnecessários para se estabelecerem. Sempre foram aqueles jogadores habilidosos que bons olheiros gostariam de levar para o seu time, mas que nunca se importaram com exposição ou um estrondo de sucesso. ‘Cara, imprima essa merda: sou um desajeitado’, diz El-P em “Sea Legs”. ‘Onde tá o caixão daquele gordo flho-da-puta’, ridiculariza Mike a si próprio. Eles não precisam ser levados a sério. E, como se constata, não querem.

Sem refrão e com muitos ataques a crews como G-Unit, “Banana Clipper” é um rápido bate-rebate dos dois rappers, como se tivesse sido preparada para uma batalha de MCs. Os versos apenas se complementam e são divertidos como o cão. Fala se não é pra rir disso: ‘É hora dos faladores Skywalker conhecerem o verdadeiro Darth Vader’?! Pra finalizar, o ícone Big Boi, que não gosta de perder uma boa briga, arrebata: ‘Quieto, é assim que o chefe fala!’.

Com uma dinâmica ainda mais ágil que “Banana…”, “Twin Hype Back” é pra ser escutada no último volume no carro. As rápidas rimas são adornadas por algo que parece uma percussão de latas, com reverbs pesados como avalanche. E chega a notável participação de Prince Paul como o personagem Chest Rockwell, cria do diretor Paul Thomas Anderson do clássico filme Boogie Nights (1997). Com a voz de safadão másculo, Chest emenda: ‘Eu adoro fazer amor com o seu… buraco’.

Sem a proposta de soar inovador ou exageradamente necessário, Run the Jewels é um louvável respiro na carreira de dois grandes nomes na cena hip hop. Eles estão pouco se fodendo para conquistar o hype. A graça maior é brincar com ele, subverter e encarar a profissão de músico mais como playground que sustento obrigatório.

Apreciamos o descompromisso também.

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A seguir ouça Run the Jewels na íntegra:

Melhores Faixas: “Banana Clipper”, “DDFH”, “Job Well Done”, “Get It”.