
01 Locked Down 02 Revolution 03 Big Shot 04 Ice Age 05 Getaway 06 Kingdom of Izzness 07 You Lie 08 Eleggua 09 My Children, My Angels
10 God’s Sure Good
Gravadora: Nonesuch





Se um certo Dr. John nunca te despertou interesse, agora não tem desculpa: quem produz o novo disco desse barítono doidão que mostrou toda a psicodelia e inventividade da música de New Orleans desde a década de 70 é ninguém menos que Dan Auerbach, a outra metade do The Black Keys.
O que tudo isso muda? Em questões técnicas, algumas coisas mudam sim. Auerbach é conhecedor dos estúdios modernos e deu os toques necessários para o doutor explorar suas múltiplas sonoridades de forma profícua. Quem agradece? Os ouvintes, que podem se regozijar com os solos roqueiros da guitarra do homem em “Getaway”, toda a eletricidade do Rhodes em “Kingdom of Izzness” ou os efeitos do doo-wop clássico em “Big Shot”.
Agora, se você já conhece Dr. John de outros carnavais, ficará feliz em saber que a habilidade do músico foi muito bem catalisada em seu vigésimo nono disco.
O disco inicia com a faixa-título que, temperada por teclados etéreos, segue numa linha rhytm’n blues com backing vocals que remontam ao final da década de 1960.
“Revolution” já é mais potente: com grandes requintes pop, trafega pelo R&B até atingir os momentos de distorção rítmica que você já deveria estar familiarizado desde Gris-Gris, de 1968. Nesta canção, John cobra que deveríamos estar mais ativos, dialogando diretamente com o Wrecking Ball de Bruce Springsteen ao traçar uma atmosfera mortífera de ‘desilusões religiosas’, ‘nossas mulheres sendo estupradas’, ‘rebelião’, ‘revolução’. Quando será que daremos ouvidos aos músicos mais experientes? Ou, observando por outro modo, estariam eles certos?
É uma longa e acalorada discussão. Mas, voltando ao que interessa, a musicalidade de Locked Down é soberba e incrivelmente bela.
Não pense muito quando se deparar com o nome Dr. John.
Melhores Faixas: “Revolution”, “Big Shot”, “Getaway”, “You Lie”.
