Gravadora: Gobstopper
Data de Lançamento: 22 de agosto de 2014
Muito do subgênero grime, surgido como um microcosmo em Bow, na Inglaterra, tem alicerce no hip hop, música caribenha, dancehall e drum’n bass. Foi uma resposta àqueles que acusavam grupos como Ruff Sqwad e Roll Deep de soarem revivalistas à cena do início dos anos 1990.
É difícil apontar uma origem estrita ao gênero. Mas, atualmente, os nomes mais produtivos do grime despontam na cena eletrônica. É o que dá a entender o novo trabalho de Dark0.
Trilhas de jogos de ação de videogame encontram certa aura clubística em Fate, o EP mais recente do pseudônimo de Davor Bokhari. Mas apenas citar que há videogame e há música dançante cria uma generalização que não condiz com o trabalho. Assim como o próprio grime, termo ainda escapista para o que se ouve aqui.
Fate tem potências no bass, mesmo em faixas que tinham tudo para ser abstratas. É o caso de “Mako March”, que joga com elementos orientais, espadas e épicas batalhas de RPG (graças aos trechos de Final Fantasy VII), de certa forma dialogando com “Attack Music”, de These New Puritans.
Ao iniciar os trabalhos com “Amethyst”, Dark0 leva o ouvinte a imaginar que está numa pista de dança. Seria um prato cheio aos antigos clubbers, caso não pendesse à densidade de “Gaia”, cujos efeitos lembram golpes de oponentes de um complexo jogo de aventura.
“Black Rose” é o melhor resumo de como Fate opera. Crava o meio-termo entre o gamer e o produtor de Davor, juntando sci-fi, EDM, thriller e todo o hibridismo que forma o grime. O ritmo é constante, deixando as variações a cargo do que nos parece soar uma força externa – mas, ainda assim, preponderante para estabelecer o firmamento da canção. “Black Rose” instiga tanto o movimento do joystick como dos pés. Comprova a eficácia de Dark0 de unir gostos pessoais e a vontade alheia de dançar (endossada em “Evisu”), com potencial de agradar casas e festivais abarrotados.
