Gravadora: Carpark
Data de Lançamento: 1º de abril de 2014

“Você pode ouvir as canções umas 20 vezes e ainda escutar pequenas outras coisas”, disse Dylan Baldi sobre o terceiro disco do Cloud Nothings, Here and Nowhere Else. Ouça, ouça, continue ouvindo. Elas são ágeis, temperadas, cheias de testosterona. Mas, ouvindo 20, 25, 30 vezes a pergunta não se cala: a banda tá querendo ser Superchunk, Sonic Youth ou Shellac? Seria isso ruim?

Steve Albini, que ajudou a encontrar a sobrecarga que a banda precisava no anterior (e ótimo) Attack On Memory (2012), não assume mais a produção: em seu lugar, ficou John Congleton, do The Paper Chase (e que também trabalhou com St. Vincent e The Roots). Isso não influencia muita coisa, tendo em vista que a banda permanece se escorando em guitarras sujas e nos vocais estrepitantes de Baldi.

O ritmo das oito faixas é constante, o que deixa evidente o propósito da banda de expandir sua audiência. Quem gosta de Hüsker Dü, Offspring ou da fase punk de Green Day vai embalar na sequência “Now Here In” e “Quieter Today”, onde vale prestar atenção na boa dinâmica da bateria de Jayson Gerycz. Nessas canções, Baldi conseguiu encontrar o eixo mais adequado entre a energia do hard-core ante aos exageros que consegue atingir com seus vocais ainda privilegiados com seus 21 22 anos.

Claro que nem tudo é só agilidade, urgência e juventude. “Psychic Trauma” começa como a trilha de um ótimo filme adolescente que tanto faz falta no cinema atual, mas vai adquirindo intensidade aos poucos, terminando como toda boa música de punk rock deveria terminar.

“Pattern Walks” é uma das grandes forças do disco justamente por condensar tudo aquilo que o Cloud Nothings precisa para ser a próxima banda cotada como headliner de um festival: tem riffs ágeis, refrão fácil de entoar e se apoia justamente na agilidade das guitarras com uma composição que, como o próprio Baldi revelou em entrevista ao Drowned in Sound, debate “coisas gerais que as pessoas de minha idade sentem que precisam superar”. A energia alcança um clímax que rememora as melhores bandas de rock dos anos 1990. É o momento em que a banda pode começar a quebrar os instrumentos e foder com tudo para, ao final, ser ovacionado.

Claro que a falta de novidade em Here and Nowhere Else é algo latente. Competência a banda tem de sobra, e se Attack On Memory não deixou isso bem exposto, não é preciso tentar recriar um novo ambiente próprio para se firmar como uma banda relevante de rock.

Não há que se comparar Here and Nowhere Else com a obra anterior, justamente porque o Cloud Nothings ainda está galgando seus passos. Em pouco tempo, a banda mostrou-se merecedora dessa grandiosidade que, cada vez mais, parece estar rendida ao marketing e à aleatoriedade.

Se tem a ver com anos 1990, se é uma fórmula repetida, se Dylan Baldi é só mais um… Tudo bem, todos esses argumentos são válidos. Mas a juventude dos anos 2010 também merece uma banda de rock para chamar de sua e de seu tempo.