Gravadora: Carpark
[rating:4]

“No Future/No Past” resume bem o avanço musical do Cloud Nothings: em seu segundo álbum, o grupo saltou da melancolia e das referências indie lo-fi para um rock mais amadurecido. A canção já diz logo que a banda liderada por Dylan Baldi não merece cair em rotulações.

01 No Future/No Past 02 Wasted Days 03 Fall In 04 Stay Useless 05 Separation 06 No Sentiment 07 Our Plans

08 Cut You

A voz do prolífico cantor no primeiro single de Attack On Memory finalmente encontrou as tonalidades mais urrantes de Kurt Cobain, tornando o som do grupo mais próximo do punk do que do próprio indie. Se essa é uma tendência que vem desde 2010 com os trabalhos de Yuck ou o próprio Girls, que está na ativa há mais tempo, interprete como quiser o videoclipe oficial de “No Future/No Past” (que você confere a seguir), que mostra um velho sendo arrastado o tempo inteiro.

O produtor Steve Albini certamente merece boa parte dos créditos dessa empreitada musical do Cloud Nothings que, se por um lado não representa nada inovador, compensa com uma sonoridade instigante e até imprevisível. Ainda que tenha passado boa parte do tempo jogando Scrabble no Facebook, o fato de estar presente nas gravações deve ter sido a melhor coisa de Attack On Memory. Da negligência e da indiferença, floresceu a fúria, o peso e a sobrecarga necessárias para aniquilar o termo indie do catálogo.

(Outro fator que deve ter contribuído para esse surto do Cloud Nothings é o fato de Baldi ter excursionado com o pesadíssimo grupo de hard core Fucked Up. Ele mesmo não nega que aprendeu muito com aqueles caras.)

“Wasted Days”, um dos grandes destaques, é um rock quase progressivo, onde ouvimos Baldi gritar desesperadamente como se tivesse em uma câmara mortífera. É a canção mais atípica do disco: a única que tem quase 9 minutos num disco em que cada faixa tem uma média de 3 minutos e meio. O legal é que a música não cai naquela chatice prolongada que toma parte de muitas faixas ‘experimentais’ tocadas por grupos de rock. É um surto contínuo que poderia muito bem ser uma colagem de “Pretty Vacant” em meio ao acid rock musicalmente destrutivo de “Mona”. A música é viciante e Baldi exclama por mais e mais e mais barulho, o que torna a canção quase autodestrutiva.

Cloud Nothings: “Stay Useless”

Cloud Nothings: “No Sentiment”

Depois das duas primeiras faixas, vemos a faceta mais comercial do Cloud Nothings, o que não quer dizer que seja algo ruim. “Stay Useless” é revigorante e pode muito bem ser cantada por qualquer ouvinte que esteja começando a se interessar pela banda. “Fall In” tem um refrão repetitivo demais e pode ser deixada de lado, sem problemas – problema que pode ser solucionado com a entrada de “Separation”, uma guitarrada frenética ininterrupta, fortificada por uma bateria que evoca os melhores momentos de Dave Grohl.

“No Sentiment”, a melhor faixa do disco, é punk, pesada, mente aberta. É onde percebemos o melhor sentido das distorções e agradecemos por ter cantores de rock que não desistiram do velho sonho de arrebentar as próprias cordas vocais.

Melhores Faixas: “No Future/No Past”, “Wasted Days”, “Stay Useless”, “No Sentiment”.