01 intro 02 loud 03 bout.that (ft. Baseck) 04 get.it (ft. Kill Rogers & TiVO) 05 five 06 bullshit (ft. Jalene Goodwin) 07 overpass (skit) 08 guns.up 09 mobb2it 10 killer (ft. Kill Rogers) 11 collect (skit) 12 story 13 real (ft. Ezra Buchla)

14 outro

Gravadora: Independente

A conquista de carros, mulheres e muita grana não quer dizer necessariamente que o rap esteja em alta. Na verdade, a coisa é bem diferente: o criativo luta com o comercial para tentar obter espaço num gênero cada vez mais acobertado de clichês.

Uma única audição de “intro”, do grupo de rap-noisy Clipping, detrata o hedonismo que tomou conta e afetou toda a produção do gênero.

Ainda em seu primeiro disco, a proposta do Clipping é impactar tanto por meio de uma atmosfera improvável que inclui pipocos eletrônicos, overdubs estourados e batidas tensas, como por suas rimas que, de tão velozes, assumem o caráter quase terapêutico de se desvencilhar das porcarias que somos obrigados a aguentar no hype.

De tão irascível, midcity às vezes dá pancadas pesadas demais nos ouvintes, como na assombrosa “killer” (com participação de Kill Rodgers, é a trilha perfeita para jogos de videogame assustadores que se passam na madrugada) ou na desnecessária repetição alienante da faixa de encerramento, “outro”, onde, em mais de 10 minutos, os rappers colocam em eterno repeat o termo ‘get money get money get money get money’.

No meio de tudo isso, uma coisa é fatídica: os ouvintes e amantes de rap precisam enfrentar as agruras do gênero para aceitarem as novas possibilidades que ele oferece.

Não que o Clipping seja difícil de engolir. Afinal, há pouco tempo atrás, Tyler the Creator conseguiu uma boa aceitação falando um monte de porcarias estudantis por meio de bases distorcidas ao máximo.

Ou seja, se você encarou uma “Radicals” ou não se incomodou com “Nightmare”, acredite, Clipping supera tudo isso com letras mais inteligentes e não menos sádicas. Vício em apps como Instagram e foco excessivo para encontrar a solidão são versados com o devido alerta em faixas como “bullshit”, “get.it” ou na já mencionada “killer”.

A ousadia e a intempérie encontradas em midcity dialogam com o peso de MF DOOM e dão as diretrizes para um bom caminho de renovação no hip hop, como fizeram muito bem os contemporâneos Shabazz Palaces e Death Grips – cada um com propostas diferentes, é claro.

Ouça midcity, do Clipping, íntegra:

Melhores Faixas: “loud”, “five”, “guns.up”, “killer”.