Gravadora: MPS/Edel Germany GmbH
Data de Lançamento: 31 de março de 2017
Avaliação: 7/10
Já no 6º disco, a cantora China Moses mostra que o jazz vocal pode ter uma visão mais despojada e contemporânea do que se imagina.
A norte-americana de 39 anos, que mora na França e é filha da lendária Dee Dee Bridgewater, considerada uma das maiores intérpretes jazzistas, mostra vigorosa faceta pop em Nightintales.
Ela mesma já afirmou que, em sua música, jazz, soul e blues são uma coisa só. Com Nightintales, fica provado que o pop também tá no meio dessa jogada, devido à produção meio Blue Note do britânico Anthony Marshall.
China Moses compõe desde os 18, e o passar dos anos mostrou que a forma com que o canto sai é parte de um corpo musical único. Essa unicidade é percebida mesmo na bela noção de espalhafatoso entregue em “Disconnected” ou no baile proposto em “Watch Out”.
Standard contemporâneo
No meio de sua carreira, China chegou a cantar standards do jazz – tanto que dedicou um álbum à Dinah Washington, This One’s For Dinah, de 2009.
Inevitavelmente seu canto vinculou-se ao jazz clássico, algo que pode ser percebido na balada ao piano “Ticking Boxes”, com acentuações pontuadas do baixo de ‘Level’ Neville Malcolm. “Blame Jerry”, com participações de Marshall e o trompetista Theo Croker, é um retorno aos anos 1950, àquele tipo de bop com blues.
Os vaivéns temporais de Nightintales reforçam mais a versatilidade do que a potência de uma cantora que brilha em cores no meio de tantos preto-e-brancos por aí.
Porém, o disco está mais preso à capacidade técnica de China Moses do que a um tipo de representatividade do século XXI. É moderno, é cativante e instiga. Só não é idôneo.
Errata:
• Nightintales é o 6º disco da carreira de China Moses, e não o 7º, como estava anteriormente.
