
Big Boi – Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty




O que esperar de um rapper que, talvez, tenha servido de background para um dos grupos mais famosos da década passada? Big Boi, o cara que soava como um vocalista antiquado em comparação ao seu parceiro de grupo e talvez rival de ego Andre Benjamin (ou Andre 3000), conseguiu surpreender mais uma vez os fãs de hip hop que já se agraciavam com as constantes renovações sonoras do Outkast.
Em Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty, Big Boi impõe sua forma e estilo em canções marcadamente únicas, algo que a black music pop há tempos não vê. Percebe-se o cuidado do artista de ponderar suas referências funk oitentistas com dancehall em canções fartamente animadas, dançantes e envolventes. “Turns Me On”, por exemplo, traz um teclado retrô para dar espaço à voz dos rappers Sleepy Brown (Organized Noise) e Joi.
Com uma pesada base que instiga os rebolados mais intensos, “Tangerine” podia muito bem integrar algum álbum do 50cent, com a diferença de que as rimas são melhor aproveitadas, como o divertido trocadilho do nome da canção com ‘tambourine’. Sem falar que os efeitos adicionais absolutamente retrô caem muito bem com o gingado da música.
O estilo produtor de Big Boi, que rendeu ótimos frutos com o Outkast, fica evidente no videoclipe de “You Ain’t No DJ”, gravado em parceria com Yelawolf. O vídeo é um composto experimental que reúne elementos do hip hop mixados em sua edição como se estivessem fazendo parte de um vinil de vídeo.
Janelle Monáe, uma de suas grandes descobertas (e uma de nossas maiores bel-prazers sonoras da atualidade), faz uma ponta em “Be Still” com sua voz infectada pela androginia do The ArchAndroid, captando toda a essência do álbum e criando uma atmosfera psicodélica com todo o abuso de efeitos futurísticos que sua voz faz questão de realçar.
“Night Night” tem uma pegada rítmica bem, digamos, atípica para o rap considerado dançante, e “Hustle Blood” parece que foi produzida especialmente para mostrar a habilidade vocal de Jamie Foxx.
Até mesmo o expert George Clinton deixou-se levar pela esquizofrenia moderna de Big Boi, dando uma palha em “Fo Yo Sorrows”. Apesar de estar muito longe das inovações malucas de um Parliament, Big Boi estreia solo com maestria e prova de uma vez por todas que está muito a frente dos rappers de seu tempo. Simplesmente não dá nem para fazer uma comparação com outros músicos de sua geração sem soar injusto.
Mente aberta demais para um Kanye West e demasiado experiente para um Eminem, Big Boi traz em Sir Lucious Left Foot… um manual de inventividade que poucos seguiriam à risca. Tanto que até a antiga gravadora do Outkast, a Jive, recusou o material por achá-lo pouco comercial. Quem abraçou a ideia foi a experiente Def Jam, que tem em seu currículo álbuns dos maiores rappers de todos os tempos. Teria o Big Boi, isoladamente, um lugar nessa lista?
