Gravadora: Rimas Entertainment LLC
Data de Lançamento: 24 de dezembro de 2018
Avaliação: 6.5/10
2018 ficou marcado não só como o ano do fortalecimento da música latina, mas também por dar uma rápida resposta ao que já podemos considerar a era ‘pós-Despacito’.
Nesse sentido, Bad Bunny disputa a linha de frente com nomes como J Balvin, Daddy Yankee e Becky G – todos eles nomes presentes nos clipes mais vistos do YouTube no ano passado.
O lançamento de X 100PRE no finalzinho de dezembro mostra que a música latina tem potencial para sustentar um álbum, sim.
Impacto de singles
Antes de tudo, Bad Bunny encontrou um meio-termo importante: conseguiu criar uma narrativa sem perder o apelo popular dos singles. Cada canção tem impacto o suficiente para conquistar boas posições no Hot 100 da Billboard – algo que, curiosamente, não aconteceu.
O máximo que X 100PRE conseguiu foi uma 11ª posição nas paradas, um número distante para quem foi bem longe ao longo de 2018. Não que se trate de um disco ruim – pelo contrário. Bad Bunny trouxe uma abrangência que engloba reggaeton, R&B e ritmos da América Central, como bachata e dembow (da República Dominicana), numa estrutura que lembra mixtape de rap.
O cuidado com a produção por parte de DJ Luian e Hear This Music evoca um lado mais sentimental, como se apresentasse um ângulo diferente de R&B moderno. Todos eles, claro, são imbuídos do balanço que caracteriza Bad Bunny como um músico urbano do século XXI.
Música latina para fugir de clichês
“Si Estuviéssemos Juntos” arrasta aos poucos o ouvinte para uma dança agitada, enquanto as cordas onipresentes de “Ni Bien Ni Mal” deixa o ouvinte com a percepção de que se trata de uma música para fincar no verão.
“200 MPH” encontra um eixo que liga ao eletrônico global mainstream de Diplo, enquanto a agitada “Caro”, com participação ‘secreta’ de Ricky Martin, tem tudo para ser a ramificação latina perfeita do trap.
Uma das mais viciantes é “Tenemos que Hablar”, pontuado por um riff de guitarra, vozes esparsas e a batida minimalista do trap. Trata-se de uma fórmula diferente de “Estamos Bien”, com uma sonoridade fantasmagórica com appeal para uma dança a dois.
Não que essa proposição funcione sempre: “Como Antes”, por exemplo, demora demais para engatar e, quando vai, prende-se a um vocal desesperador difícil de identificar-se com o ouvinte. “Ser Bichote”, termo que significa algo como traficante em Porto Rico, parece apostar num bordão específico demais para pegar no mundo inteiro.
Bad Bunny pode não ter sido bem-sucedido em cifras com X 100PRE no formato álbum, mas foi inovador ao propor distintas ramificações estéticas para um gênero que aglomera clichês a cada momento que chega ao topo. Que cada música tenha a força de um single é síndrome de um estrondoso sucesso com potência até mesmo para incentivar Drake a gravar em espanhol (“MIA”).
Fato é que a música latina tem apostado demais na aproximação com o hip hop (principalmente samplers e batidas), algo que Bad Bunny contorna, mas não evita totalmente. Seu esforço em seguir novas direções está bem computado em X 100PRE, mas ainda há muitos caminhos a se explorar – por ele e pelos demais que atraíram bilhões de views para as plataformas de streaming nos últimos dois anos.
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