Gravadora: Glassnote
Data de Lançamento: 11 de março de 2016

A norueguesa Aurora Asknes é uma soma de tudo que domina o pop hoje: eletropop, sons cristalinos, vocais femininos arrasadores. Sia, Lorde e Lykke Li ecoam no canto convincentemente emocional, mas pouco maduro da moça de 19 anos.

O disco de estreia tem um título impactante demais pro que realmente entrega.

All My Demons Greeting Me As a Friend tem toda a fortaleza pop assimilada, com vocais límpidos em contraste com synths massivos (“Running With The Wolves”) e baladas bucólicas no estilo que agrada fãs de Ellie Goulding (“I Went Too Far”).

“Through The Eyes of a Child” tem um pano de fundo gélido que remete à influência da música nórdica, enquanto “Lucky” evoca os momentos mais modorrentos de Lana Del Rey: ‘E pela milésima vez/Me sinto entorpecente demais para me equilibrar‘. (Não estranhe se, no caso de surgir aposta de uma nova franquia cinematográfica no nicho da saga Crepúsculo e Divergente, o nome de Aurora esteja no meio das trilhas sonoras.)


Por conta da semelhança com diversas cantoras pop atuais, dá pra imaginar que o objetivo de AURORA – e dos produtores ao seu redor – é se integrar a esse meandro rentável.

Isso dificulta, por exemplo, a captação de suas verdadeiras qualidades artísticas. Ela canta bem, as músicas são soberbamente produzidas, ela tem fluidez ao passear por baladas, canções extravagantes, cristalinas… AURORA ainda tem muito a aprender, mas o principal a dizer é: a garota precisa regredir antes de dar um grande passo estético. Já dizia Lênin: “É preciso dar um passo atrás, para depois dar dois passos adiante”.

Os demônios dela são os mesmos daqueles que enfrentam a fase mais interessante da adolescência. Para AURORA, no entanto, faltou ousadia.