
01 Zig Zag Nation (Ft. Naga MC, Amy True & Kam Romay) 02 The Signal and The Noise 03 Radio Bubblegum (Ft. LSK) 04 Qutab Minar (Ft. Imphal Talkies) 05 Stand Up 06 Hovering 07 Straight Jacket (Ft. The Gandu Circus) 08 Get Lost Bashar 09 Bnadh Bhenge Dao (Ft. The Gandu Circus) 10 Blade Ragga 11 Your World Has Gone (Ft. Shama Rahman) 12 Dubblegum Flute Flavour
13 Psychosamba (Bonus Track For Japan)
Gravadora: Rinse It Out



Uma banda britânica que faz som com dub e ragga numa agressividade punk, permitindo-se dialogar com gêneros como drum’n bass, fusion, hip hop e rock’n roll. Que outro grupo que não o Asian Dub Foundation para assimilar o rótulo de world music?
Há vinte anos na cena musical, o ADF explorou com fúria e intensidade a maioria das possibilidades que todo esse cruzamento de cenas e gêneros poderia garantir. Houve momentos de glória que justificam o clamor por Community Music (2000) – e que também permeiam o não tão elogiado Enemy of the Enemy (2003). E houve momentos de desgaste, como Tank (2005).
O grande fato é que o Asian Dub Foundation é uma espécie de Rage Against the Machine da world music. Claro, se você quiser catalogar a banda como world music, e não em uma outra subcategoria irrelevante.
O décimo álbum, The Signal and The Noise, é um refrescor que a banda julgou necessário. Já começa de assalto com “Zig Zag Nation”, um diálogo com o rap que conta com as colaborações de Naga MC, Amy True e Kam Romay. A faixa-título mantém a chama das guitarras acesas em um momento que nos remete às melhores coisas que esse coletivo já fez (tempos bons de “The Judgement” e “2 Face”).
Divulgado como primeiro single, “Radio Bubblegum” é um ragga com elementos aterradores, mas peca por seu refrão de pouco impacto. Mais focada no ritmo jamaicano, “Stand Up” ensaia uma produção límpida, mas logo os reverbs que nos remetem ao drum’n bass deixam as coisas mais eletrizadas – o que não é necessariamente um elogio.
Como seria de se esperar, os melhores momentos do disco estão nas faixas mais ágeis, como “Straight Jacket” – que conta com a força do grupo indiano de punk-bangla-rap The Gandu Circus (que também colabora em “Bnadh Bhenge Dao”) –, o belo instrumental de “Blade Ragga” e sem deixar de mencionar talvez a melhor de todas, “Psychosamba”, comercializada apenas na edição japonesa do disco.
Procurar os exageros tem sido uma das características mais notáveis do ADF em duas décadas de carreira. Em um gênero que já afasta ouvintes só pelo seu termo, a banda consegue injetar gás e testosterona para arrancar suor de quem quer que dê ouvidos à sua cozinha barulhenta.
Dizer que essa fórmula, mantida durante todo esse tempo, está desgastada, seria inoportuno. Afinal, o ADF não goza de reconhecimento pop que aqueles velhos chavões que conhecemos bem.
Sendo assim, The Signal and The Noise cumpre regularmente o papel de manter a banda viva e ativa no cenário. Mas, caso esteja à espera de um novo Community Music, saiba que a sonoridade do ADF perdeu a aura de impacto ali pela década de 2000.
Custa ou não custa relembrar e fingir que os anos não passaram? Eis a questão.
Melhores Faixas: “Zig Zag Nation”, “Straight Jacket”, “Psychosamba”.
