Arctic Monkeys disponibilizou Suck It and See antes do lançamento oficial, 12 de junho

Gravadora: Domino Records

No quarto álbum de estúdio do Arctic Monkeys já era de se esperar que viesse a maturidade. Entretanto, ao contrário do que Humbug propunha, Suck It and See torna vivaz a energia dos primeiros discos, com letras de fácil assimilação para os ouvintes. São canções marcadamente pop, com boas pontuações no baixo de Nick O’Malley e uma vibração ainda maior da banda como um todo, resultado de uma caminhada que, nada nada, vai se tornando mais longínqua.

Veja as primeiras impressões do Na Mira do Groove de cada faixa de Suck It and See

O grande paradigma é unir maturidade e manter a identidade. Em Suck It and See, o Arctic Monkeys consegue alinhar isso de forma esforçada, mas que ainda exige primor

Suck It and See é repleto de ótimos momentos, como a primeira faixa “She’s Thunderstorms” e “All My Own Stunts”. Quando o espírito garageiro é acionado, vemos o Arctic Monkeys explorar o território que conhece da forma mais esforçada possível. Os riffs estão bem mais pontuados: os integrantes, em alguns momentos, economizam notas musicais para dar o peso ou a morbidez necessárias às suas canções.

Em “Piledriver Waltz”, a bateria de Matt Helders busca um compasso alinhado ao baixo, dando ênfase aos vocais de Alex Turner numa balada indie que vai fazer muita gente arriscar um rebolado. “Black Treacle” inicia com um riff à lá Josh Homme, buscando efeitos de guitarra ao longo da canção de forma contida (até que os solos de Jamie Cook, mais uma vez remetendo ao Queens of the Stone Age, entram dispersos na faixa).

Esse álbum também evidencia algo interessante na carreira do Arctic Monkeys: simbolicamente, deixou a banda com os pés no chão, mais próximos aos fãs incondicionais que temiam uma mudança brusca pós-Humbug.

Grupos como o Arctic Monkeys têm dificuldades de assimilar novas sonoridades que, de alguma forma, mantenham vivas as características iniciais que alçaram o grupo. Não é por culpa deles, obviamente. Tudo isso tem a ver com a dinâmica mercadológica que os tornaram grandiosos – uma verdadeira banda de arena, que lota estádios sem problemas.

O grande paradigma é unir maturidade e manter a identidade. E, em Suck It and See, o Arctic Monkeys consegue alinhar isso de forma esforçada, mas que ainda exige primor. Canções como “The Hellcat Spangled Shalalala” e “Dont Sit Down ‘Cause I Move Your Chair” contribuem ainda mais para que a banda se prenda ao imaginário adolescente. Por mais que a estética agrade e os riffs empolguem, não dá pra aceitar os ‘la-la-las’.

Quando eles resolvem inovar, pasmem, eles atingem ótimos resultados. “Library Pictures”, que trabalha uma dinâmica bem mais descompromissada entre os instrumentos de corda, é um belo exemplo.

A última faixa, “That’s Where You’re Wrong”, mostra um Arctic Monkeys musicalmente bem mais maduro, explorando riffs circulares com a adição de efeitos muito bem colocados. Aqui, é como se a banda evidenciasse: “sabemos fazer rock de qualidade muito bem, mas vocês preferem o de sempre”.

A impressão que tenho é que não vai demorar muito para a banda encerrar suas atividades. Ela tem potencial de sobra, mas vai acabar enjoando de si mesmo se continuar presa às expectativas de fãs. Isso seria uma pena desoladora para o rock mainstream, vocês não fazem ideia…

Ouça o álbum Suck It and See na íntegra:

Melhores Faixas: “She’s Thunderstorms”, “Library Pictures”, “All My Own Stunts” e “That’s Where You’re Wrong”.