Gravadora: Aftermath/12 Tone Music
Data de Lançamento: 12 de abril de 2019
Avaliação: 7/10

As expectativas sobre o rápido sucessor de Oxnard vieram da mãe de Anderson .Paak. Ela chegou a postar nas redes sociais que, ao contrário do que alguns fãs mais críticos disseram, o filho não havia ‘perdido a identidade’ ao lançar o disco, em novembro de 2018.

Oxnard é um disco que busca novas conexões. Nesse caso, o apoio de sua banda, The Free Nationals, favorece essa nova trilha feita pelo cantor, principalmente por seu dinamismo.

Entretanto, não se pode perder de vista o dinamismo do próprio Anderson .Paak. Obras que propõem intersecções de estilo costumam exigir mais dos músicos envolvidos. Afinal, era um caminho distinto da zona de conforto do rapper que se confunde como soulman, ou seja, um risco que vale a pena correr quando se tem um Dr. Dre para chamar de chefe.

Retorno ao pop

Mas, como confrontar o apelo de criar canções memoráveis? Talvez essa tenha sido a ausência sentida pelos fãs.

Para isso, a resposta de .Paak foi bem rápida. Rápida e efetiva.

Porque a intenção de Ventura é bem clara: responder às críticas com um disco de boas canções.

Não se trata de um exercício saudável. Por mais que a crítica seja parte construtiva de um trabalho, a impressão é que o disco foi lançado mais para atender a uma demanda do que ter um peso significativo em sua trajetória artística.

Sejamos claros: ninguém tem que provar nada para ninguém.

Resolvida essa questão, Ventura é sim um disco mais palatável que Oxnard. É Anderson .Paak em sua versão mais pop, carismática e leve.

Logo de cara, ele traz Andre 3000 para “Come Home”, com o irresistível atrativo de deixar o ouvinte confortável naquilo que o cantor faz melhor. É uma música boa e viciante. O contraste da voz enérgica de .Paak com a voz aveludada de Andre 3000 mantém uma qualidade consistente, que de certa forma se propaga pelo decorrer do disco.

E se você já considera o ex-Outkast um nome de peso, olha só os features seguintes:

Smokey Robinson faz plácido dueto em “Make It Better”;
• A grande cantora Lalah Hathaway faz boa contribuição em “Reachin’ 2 Much”;
• E, na última faixa, “What Can We Do?”, ele resgata rimas perdidas de Nate Dogg, o lendário rapper da Costa Oeste (falecido em 2011), primo de Snoop Dogg, conhecido por ‘melhorar’ as canções de vários parceiros.

Por mais que o disco dê um passo atrás no quesito experimentação, refina sua forma já consagrada de fazer soul-music (e rap também).

A maior ênfase nas melodias e a preocupação com a fluência faz de Ventura um respiro positivo em termos mercadológicos. Seria melhor, porém, que ele funcionasse como conexão a um passo ainda mais ousado. E, agora, .Paak também conta com bom respiro temporal para o próximo capítulo de sua jornada.

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