
Aos 23 anos, cantora britânica já ultrapassou recordes de Madonna
Gravadora: XL




O editor de música do Guardian, Tim Jonze, deixou bem claro porque Adele é uma candidata fácil a superar recordes de Madonna (como a artista mulher que mais permaneceu no topo das vendas de discos) com o sucesso de 21: “talvez o melhor lugar para começar seja sua gravadora, a XL Records. Eles detectaram em Adele não apenas uma grande voz, mas uma artista que pode se desenvolver conforme sua carreira avança. Este é o motivo dela poder escolher quem quiser para gravar, escolher as faixas que serão lançadas como singles e como elas serão promovidas”.
Mas também é importante dizer que Adele não é bem uma inovadora. Aos 23 anos, ela vem pegando carona no soul revivalista que Amy Winehouse trouxe para o mainstream com o lançamento de Back To Black (mas que já vinha sido explorado anteriormente por músicos como John Legend e Sharon Jones).
Por trás de toda rainha existe uma coroa, e neste caso prevalece o clima neoclássico imposto por seu piano. A aproximação é bem intimista, lição que ela deve ter aprendido com a fabulosa Carole King (na canção “Natural Woman”, de Aretha Franklin, Adele soa arrastada, mas trafega pelas vias da versão de Carole do álbum Tapestry).
Outro exemplo da influência de Carole aparece claramente em “Turning Table”, com o adendo de uma orquestra sepulcral que ambienta o tom triste da canção.
“Someone Like You”, provavelmente uma das mais bonitas composições de Adele, também é carregada pelo piano, perfazendo um devaneio hipnótico que atinge o ápice do sentimentalismo por apostar em expectativas amorosas.
A canção foi escrita em parceria com o músico Dan Wilson e foi uma das primeiras a arrebatar as paradas após a bela apresentação no BRIT Awards de 2011.
Para provar a excelente escolha do repertório, Adele deixou como faixa inicial “Rolling in the Deep”, que é mais dinâmica e envolvente. Tem todos os atributos para permanecer no topo por muito tempo.
Por mais que a onda revivalista soul esteja em voga, dá pra dizer facilmente que Adele tem mais proximidade com o folk que o ritmo revitalizado por Amy. Adele puxa mais para o sentimento amoroso, forjando com delicadeza e profundidade a carga emotiva de suas composições. Tudo isso lhe garante primor no que faz – não unicidade.
Além do mais, Adele nos faz voltar ao bom e velho conceito de que artistas que estão no topo têm talento, mesmo em um mundo onde se fabrica Lady Gagas e Justin Biebers.
Melhores Faixas: “Rolling in the Deep”, “Turning Tables”, “I’ll Be Waiting” e “Someone Like You”.
